Pesquisadores peruanos identificaram mais de 520 lagos glaciais em risco de transbordamento em todo o território do Peru. O levantamento funciona como um alerta e destaca as vulnerabilidades provocadas pelas mudanças climáticas, num país marcado pela presença de grandes cadeias montanhosas cobertas por geleiras. A divulgação ganha peso ao ser feita logo após os recentes desastres registrados na região do Himalaia.
De acordo com o levantamento, são 528 os lagos glaciais que correm risco de transbordar no Peru. O alerta ressalta que essas vulnerabilidades são semelhantes às que foram expostas pelos desastres ocorridos no Himalaia. A comparação entre as duas regiões serve para dimensionar o tamanho do problema e reforçar a necessidade de atenção das autoridades e das populações que vivem nessas áreas.
Nos Andes, segundo os especialistas, o degelo e a instabilidade do terreno montanhoso podem desencadear enchentes e deslizamentos de terra. Esses dois fatores combinados aumentam o perigo para as comunidades instaladas nas proximidades das lagoas de origem glacial. A movimentação do gelo e das rochas nessas altitudes cria condições propícias para episódios repentinos e de grande impacto.
Do total mapeado, o órgão especializado peruano classificou 58 dos 528 lagos glaciais como de risco muito alto. Essa parcela concentra a maior preocupação dos técnicos, por reunir as condições mais favoráveis a um eventual transbordamento. A classificação permite priorizar quais pontos exigem monitoramento mais rigoroso e medidas de prevenção mais urgentes.
O estudo também procurou dimensionar a população ameaçada. A partir da análise das características de uma lagoa, de seu entorno e de um modelo de possível avalanche que poderia atingir a lagoa e provocar o transbordamento, foi identificado que cerca de 27.407 pessoas estariam expostas a esse tipo de desastre. O número evidencia o quanto comunidades inteiras dependem da estabilidade desses reservatórios naturais.
Um episódio recente ajuda a ilustrar o risco. Em abril de 2025, quedas de rochas provocaram desmoronamentos em direção a um lago glacial formado havia pouco tempo. O fenômeno acabou atingindo o lago e acarretou inundações e deslizamentos de lama que alcançaram os arredores da cidade de Huaraz, mostrando como esses eventos podem chegar rapidamente a áreas habitadas.
O engenheiro Benjamin Morales alertou que os riscos podem aumentar caso não sejam adotadas medidas para drenar os lagos vulneráveis e reduzir os perigos. Ele lembrou que o Peru é o país que registrou o maior número de desastres de origem glacial no mundo, sem que nenhum outro tenha tido mais ocorrências. Segundo o especialista, sem um órgão capaz de drenar as lagoas e reduzir esse risco, a situação pode piorar.
