O Sistema Unico de Saude vai incorporar tres novos medicamentos para o tratamento do cancer de pulmao, uma medida descrita por especialistas como uma vitoria importante para os pacientes do sistema publico. Dois desses remedios sao o brigatinib e o gefitinib, enquanto o terceiro e o durvalumab, cada um voltado para um perfil especifico da doenca.
O brigatinib e o gefitinib sao indicados para o cancer de pulmao do tipo nao pequenas celulas e nao escamoso, que apresenta uma mutacao especifica. Segundo a explicacao medica, esses medicamentos agem justamente bloqueando essa mutacao, atuando de forma dirigida contra o mecanismo que faz o tumor crescer e se espalhar pelo organismo do paciente.
Quando comparados a quimioterapia, esses remedios se mostram muito mais eficazes. De acordo com o relato, o tempo de sobrevida adicionado ao paciente e mais de tres ou quatro vezes maior, a taxa de resposta ao tratamento aumenta bastante e a toxicidade diminui, o que representa um ganho expressivo para quem enfrenta a doenca no sistema publico.
A incorporacao, no entanto, esbarra numa barreira importante. Nao basta saber que a pessoa esta em tratamento de um adenocarcinoma de pulmao, e preciso conhecer o perfil genetico do tumor. Para usar o medicamento, o paciente precisa realizar um teste mais avancado, e muitos servicos publicos ainda nao tem esse exame a disposicao.
Essa exigencia limita bastante o numero de pacientes elegiveis a cada tratamento. No caso do brigatinib, e necessario haver uma mutacao ou fusao do tipo ALK, enquanto o gefitinib exige uma mutacao do EGFR. Por isso, a indicacao real acaba sendo muito menor do que o numero total de pessoas diagnosticadas com cancer de pulmao.
O terceiro medicamento, o durvalumab, e um imunoterapico. Na indicacao em que esta sendo incorporado ao SUS, ele e voltado para o estadio clinico 3 irressecavel e tambem aumenta muito a sobrevida das pessoas, a custa de pouquissima toxicidade. Nesse caso, nao e preciso pesquisar a mutacao do tumor, mas o remedio nao serve para quem ja tem cancer de pulmao metastatico.
A recomendacao da incorporacao e feita pela Conitec, mas, segundo o especialista, o tempo entre a recomendacao e a incorporacao real muitas vezes demora. Um exemplo e o proprio gefitinib, que ja havia recebido uma recomendacao favoravel em 2013 e, ainda assim, nao chegou a pratica de todos os servicos publicos de saude, o que mantem o acesso efetivo como um desafio.
