O produtor rural que sofrer perdas na lavoura e acionar o Proagro vai ter que usar fotos com localização por GPS para comprovar os prejuízos. A medida foi explicada pelo Banco Central, que detalhou as novas exigências para o principal programa público de seguro rural do país.
Segundo o Banco Central, o objetivo do uso das imagens georreferenciadas é comprovar que as fotos foram efetivamente capturadas na área afetada pela perda. Dessa forma, busca-se reduzir inconsistências no processo de comprovação dos danos registrados no campo.
O uso de fotos georreferenciadas para comprovar perdas nas lavouras tem sido estimulado desde as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. A partir daquele episódio, o registro com localização passou a ganhar força como ferramenta de verificação.
De acordo com a autoridade monetária, o reforço nos controles pretende aprimorar a saúde financeira do Proagro, que funciona como o principal mecanismo público de seguro rural no Brasil. A iniciativa busca dar mais consistência ao programa diante do aumento dos eventos climáticos extremos.
Além das exigências de comprovação, os valores das indenizações foram ajustados para refletir melhor o risco de quebra para cada produto e cada região. Com isso, o cálculo das coberturas passa a considerar de forma mais detalhada as particularidades de cada cultura e localidade.
As novas regras vão ser aplicadas aos empreendimentos enquadrados no Proagro a partir de quarta-feira. A mudança, portanto, passa a valer para as operações que ingressarem no programa a partir dessa data.
A modernização do sistema, no entanto, esbarra em desafios estruturais no campo brasileiro. Muitos produtores ainda utilizam celulares antigos, com GPS de baixa precisão, enquanto extensas áreas rurais permanecem sem conectividade de internet, o que pode dificultar o cumprimento das novas exigências.
Apesar dos entraves, a avaliação no setor é de que a medida tende a beneficiar o produtor ao ampliar a transparência, reduzir fraudes e dar mais segurança a toda a cadeia, do agente financeiro ao governo, ainda que pequenos produtores possam precisar de apoio para se adequar.