Uma pesquisa da Embrapa mostra que oferecer sombra ao gado pode aumentar a produção de leite e até multiplicar a capacidade reprodutiva do animal. Em meio ao calor do cerrado, um detalhe faz toda a diferença, e esse detalhe é justamente a sombra proporcionada pelas árvores.
Pesquisadores da Embrapa Cerrados descobriram que vacas da raça gir leiteiro criadas em áreas com árvores produzem até quatro vezes mais embriões durante o período mais quente do ano. Em laboratório, foram avaliadas tanto a quantidade quanto a qualidade desses embriões.
Os ganhos não param na reprodução. Os animais com acesso à sombra também produzem, em média, 22% a mais de leite e com melhor qualidade. A explicação está na redução do estresse térmico, que deixa as vacas mais confortáveis, fazendo com que comam melhor, ruminem mais e apresentem índices melhores tanto na produção quanto na reprodução.
O chamado estresse térmico acontece quando o calor é maior do que a capacidade do animal de se resfriar. Com a presença de árvores, a temperatura corporal dos animais diminui, o comportamento melhora e o resultado acaba aparecendo no campo, em forma de mais leite e mais embriões.
O trabalho foi conduzido no Centro de Tecnologia para as Raças Zebuínas Leiteiras da Embrapa Cerrados, na área rural do Recanto das Emas. Segundo o pesquisador Carlos Frederico, que acompanhou o estudo desde o início, foi uma pesquisa de longo prazo, de três anos, voltada a verificar o impacto da integração lavoura-pecuária-floresta na produção e na produtividade de leite em raças como o gir leiteiro e o girolando.
O estudo começou ainda na implantação da área, com o plantio de soja, milho e sorgo, a confecção de silagem para os animais, o uso dos grãos na ração e o plantio das árvores, seguido da mensuração do comportamento do sistema e do efeito da sombra sobre a fisiologia geral e reprodutiva dos animais. A sombra também transforma o pasto, já que o capim cultivado em áreas arborizadas tem até 30% mais proteína e proporciona uma digestão mais fácil.
Conhecido como integração lavoura-pecuária-floresta, esse modelo vem crescendo no Brasil e já é considerado uma alternativa sustentável de produção. Além do leite, o produtor ainda pode lucrar com a madeira das árvores, em um sistema descrito como rentável, sustentável e agroambientalmente correto, que melhora a qualidade do leite e tende a render melhores preços na venda.
