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Embrapa lança duas cultivares de trigo tropical para o Cerrado

Embrapa lança duas cultivares de trigo tropical para o Cerrado

A Embrapa lançou duas novas cultivares de trigo desenvolvidas para as condições tropicais do Cerrado, a BRS Savana e a BRS Cracker, com o objetivo de ampliar a produção nacional e reduzir a dependência do Brasil das importações.

O Cerrado brasileiro, conhecido pela força da soja, do milho e do algodão, agora também quer se consolidar como uma nova fronteira do trigo nacional. Para isso, a Embrapa lançou duas novas cultivares desenvolvidas para as condições tropicais da região, a BRS Savana e a BRS Cracker. O objetivo é ampliar a produção no Brasil, fortalecer a indústria alimentícia e tornar o país menos dependente das importações de trigo.

A BRS Savana foi desenvolvida para o cultivo em sistema de sequeiro, ou seja, quando não há irrigação. Segundo a Embrapa, ela é mais tolerante ao sol e ao calor e resistente a doenças que limitam a expansão da cultura. Foram oito anos de trabalho até se chegar a essa variedade, pensada para que o produtor consiga colher um trigo de qualidade mesmo em condições de clima mais adversas.

Outra característica da BRS Savana é a precocidade, com um ciclo de cerca de 110 dias, além de maior tolerância à brusone, a principal doença que ocorre na região do Cerrado e que, em muitos anos, chega a acabar com a lavoura de trigo. De acordo com os pesquisadores, o cereal vem sendo bem aceito nos moinhos por apresentar boas características para a produção de farinha.

Já a BRS Cracker, que ainda está em fase inicial de multiplicação na Embrapa, foi criada com foco em um nicho específico do mercado, a indústria de biscoitos. Diferente dos trigos usados para panificação, esse segmento exige uma farinha com menor força de glúten. Segundo a Embrapa, o moinho solicitou uma variedade desse tipo porque esse trigo vinha sendo praticamente todo importado.

O Cerrado já responde por uma parcela crescente da produção nacional. Entre 2021 e 2023, a área cultivada na região saltou de 200 mil para 400 mil hectares, e atualmente o Cerrado produz cerca de 1 milhão e 300 mil toneladas do cereal. A expectativa da Embrapa é ainda mais ambiciosa, alcançar 1 milhão de hectares cultivados nos próximos dez anos.

O avanço também interessa à indústria moageira, que vê no trigo tropical uma alternativa para reduzir a dependência das importações. Segundo o setor, o Brasil consome cerca de 13 milhões de toneladas por ano, mas produz apenas 6 milhões, precisando importar os outros 6 milhões. A aposta é que o Cerrado contribua de forma significativa para fechar essa diferença.

Entre os produtores que já começaram a testar as novas cultivares está Leomar Lens, que cultiva cerca de 1.200 hectares divididos entre áreas irrigadas e de sequeiro. Ele reservou 30 hectares para a BRS Savana e uma pequena área para a BRS Cracker. Segundo o produtor, o trigo vem entregando a proposta da Embrapa, com tolerância à seca e a doenças, e chegou a passar 60 dias sem chuva, algo que chama a atenção diante da necessidade de água da cultura.

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