Cientistas brasileiros desenvolveram um novo revestimento capaz de realizar a liberacao controlada e lenta de fertilizantes no solo, uma tecnologia que pode reduzir de forma significativa a perda de nitrogenio da ureia. O avanco foi apresentado como uma alternativa para tornar o uso de fertilizantes mais eficiente no campo, com beneficios tanto ambientais quanto economicos para o produtor.
O problema que a pesquisa busca resolver esta na propria dinamica da ureia, um dos principais fertilizantes usados para fornecer nitrogenio as plantas. Por ter liberacao rapida, a ureia acaba perdendo entre 50% e 60% do nitrogenio por volatilizacao, ou seja, boa parte do insumo aplicado se perde antes de ser efetivamente aproveitado pelas culturas.
Para contornar essa perda, uma pesquisa da Embrapa em conjunto com a USP, a Unesp e a Unaerp desenvolveu um revestimento a base de oleo de mamona e nano argila. O material forma uma barreira fisica e quimica ao redor do fertilizante e promove uma melhor absorcao do nitrogenio pela planta. Com a tecnologia, a reducao da perda pode chegar a menos de 5%.
Segundo os pesquisadores, o melhor aproveitamento do nutriente pela planta tambem se traduz em reducao de custo, ja que o agricultor nao precisa fazer novas adubacoes. Desenvolvida ao longo dos ultimos dez anos, a pesquisa teve como foco o aumento da produtividade, com mais massa seca e melhor nutricao das plantas, unindo ganho ambiental e economico.
O experimento foi realizado com capim do tipo braquiaria, mas os cientistas afirmam que a tecnologia pode ser aplicada a diferentes culturas, com os devidos ajustes. A novidade tambem apresenta vantagens em relacao a outros revestimentos ja existentes, como os de enxofre, que precisam ser mais espessos, na ordem de 20%, o que acaba reduzindo o teor de nitrogenio total do fertilizante.
A tecnologia reduz o desperdicio de fertilizantes em um momento em que o Brasil, por conta de conflitos geopoliticos, depende fortemente do fornecimento externo desse insumo. Para virar realidade no campo, no entanto, a pesquisa ainda precisa de investimento e de parceiros industriais dos setores quimico e de materiais, capazes de produzir os polimeros em larga escala e levar a tecnologia a etapa seguinte.
