As exportações brasileiras de café seguem tendo a Europa como principal mercado, mesmo em um período marcado pela menor disponibilidade do produto. Em maio, os embarques recuaram 25% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando havia mais café disponível, mas a Alemanha se manteve na primeira posição entre os destinos das vendas brasileiras.
No acumulado de janeiro a maio, o ranking dos principais compradores teve a Alemanha em primeiro lugar, seguida pelos Estados Unidos em segundo, pela Itália em terceiro, pela Bélgica na sequência e pelo Japão na quinta posição. Esse grupo concentra boa parte da demanda externa pelo café brasileiro no período analisado.
Mesmo diante da dificuldade de oferta, alguns mercados se destacaram pelo crescimento. A Itália aumentou as compras em 3%, enquanto a Colômbia, na oitava posição, registrou um salto de 176,5%. O Reino Unido, na décima posição, teve um crescimento de 39%, mostrando movimentos expressivos entre os destinos do café nacional.
Na análise por blocos, a concentração europeia ficou ainda mais evidente. A Europa respondeu por 54% de todas as compras do café brasileiro, e apenas a União Europeia representou 46,6% do total, ante cerca de 42% no mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço da Ásia, a Europa mostrou uma participação ainda maior nas aquisições.
O Oriente Médio também apareceu como mercado em expansão, com crescimento de 8,1%. Considerando a classificação por países árabes, foram quase 700 mil sacas destinadas a esses mercados, um aumento de 22%, equivalente a 4,3% de tudo o que o Brasil exporta. O avanço ocorreu mesmo diante das tensões políticas na região, descritas como o maior conflito no Oriente Médio desde os anos 70.
Apesar dos resultados positivos em diferentes mercados, o setor segue pressionado por um desafio logístico. No ano passado, o Brasil deixou de exportar cerca de 1.800 contêineres, e mais da metade dos navios vem registrando atrasos, em razão do esgotamento da infraestrutura portuária, especialmente no Porto de Santos. O alerta é que, quanto maior a safra e a projeção de crescimento, maiores tendem a ser os entraves nos portos brasileiros.
