O Brasil alcançou um marco histórico em 2025 no setor da pecuária. De acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a ABIEC, o país se consolidou não apenas como o maior exportador mundial de carne bovina, mas assumiu também, pela primeira vez, o posto de maior produtor global da proteína. O resultado reforça o peso do agronegócio brasileiro no cenário internacional.
Com esse desempenho, o Brasil passou a responder por 16,1% de toda a produção mundial de carne bovina. Além da liderança na produção, as exportações também alcançaram um novo recorde. O volume embarcado cresceu 20,6% e a receita gerada subiu 40% em relação ao ano de 2024, números que confirmam a expansão do setor tanto em quantidade quanto em valor.
No comércio exterior, a China permaneceu como o principal destino da carne bovina brasileira. Logo atrás aparecem os Estados Unidos, o Chile, a União Europeia e a Rússia, que completam a lista dos maiores compradores. A diversidade de mercados atendidos é apontada como um dos pilares que sustentam a posição de destaque do país no setor.
Parte desse avanço está ligada à condição sanitária do rebanho brasileiro. O Brasil obteve o reconhecimento oficial da Organização Mundial da Saúde Animal como país livre de febre aftosa sem vacinação. Esse status, alcançado em maio de 2025, é considerado fundamental para abrir e manter mercados, já que muitos compradores exigem garantias rigorosas de segurança sanitária.
O relatório da ABIEC destaca ainda a sustentabilidade da atividade por meio do chamado efeito poupa-terra. Segundo o levantamento, a sustentabilidade da pecuária saltou 183%, enquanto a área de pastagens encolheu 18%. Isso significa que a adoção de tecnologias, como o uso de confinamentos, permitiu ao país produzir mais carne sem a necessidade de expandir a área ocupada.
Para reforçar a proteção do rebanho, o Brasil inaugurou o Banco Nacional de Antígenos, uma reserva estratégica criada para fortalecer a capacidade de prevenção e de resposta de emergência à febre aftosa. A estrutura garante o fornecimento imediato de até 10 milhões de doses de vacina em caso de eventuais focos, com acesso em apenas sete dias, já que os antígenos passam previamente por controles e validações.
Os antígenos permanecem armazenados em tanques de nitrogênio líquido, a uma temperatura de 170 graus Celsius negativos. A entrega do banco ocorre pouco mais de um ano após o reconhecimento internacional do país como livre de febre aftosa sem vacinação. Representantes do setor ressaltam que atender tantos mercados exige protocolos sanitários rigorosos e reconhecidos mundialmente, num processo contínuo de adequação a novas exigências.
