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Preço do café cai quase 9% com projeção de safra recorde no Brasil

Preço do café cai quase 9% com projeção de safra recorde no Brasil

O preço do café arábica recuou quase 9% em maio, pressionado pela projeção de uma safra recorde no Brasil. O indicador CEPEA/ESALQ registrou média de R$ 1.653,92 a saca de 60 quilos, o menor patamar mensal desde outubro de 2024 em termos reais.

A projeção de uma produção recorde de café no Brasil continua pressionando os preços do produto, que registraram uma queda expressiva no último mês. O recuo chegou a quase 9%, refletindo a expectativa de uma oferta abundante na próxima safra. O movimento de baixa afeta diretamente os produtores, que acompanham com atenção o comportamento do mercado neste início de período de colheita.

De acordo com os dados levantados, o indicador CEPEA/ESALQ do café arábica do Tipo 6, bebida dura, registrou em maio uma média de R$ 1.653,92 por saca de 60 quilos na praça de São Paulo. O valor representa um recuo de R$ 157,95 por saca, o equivalente a uma queda de 8,7% em comparação com o mês de abril, evidenciando a intensidade da desvalorização recente.

Essa foi a menor média mensal registrada desde outubro de 2024 em termos reais, o que reforça a magnitude da retração nos preços. Ao longo do mês, o indicador chegou inclusive a registrar os menores valores diários desde novembro de 2024, também em termos reais. Os números mostram que a pressão sobre as cotações se manteve constante durante todo o período.

Boa parte dessa queda está ligada à expectativa em torno da safra 2026-27 no Brasil, que deve registrar uma produção recorde. A perspectiva de um volume elevado de grãos no mercado tende a derrubar os preços, já que a oferta ampla reduz a pressão de demanda. Esse cenário tem orientado as decisões de compradores e vendedores ao longo das negociações.

No campo, no entanto, os trabalhos seguem em ritmo mais lento por causa de chuvas pontuais e da variação no grau de maturação dos grãos. Além disso, chuvas de granizo em regiões do sul de Minas Gerais prejudicaram a colheita e causaram prejuízos aos produtores. A previsão de um tempo mais firme para os próximos dias pode ajudar a impulsionar a retomada do ritmo da colheita.

Mesmo diante da queda nos preços, o Brasil mantém a posição de maior produtor de café do mundo, e o produto nacional é reconhecido não apenas pelo volume, mas também pela qualidade. Para atestar esse padrão, são feitas avaliações rigorosas que combinam tecnologia, inteligência artificial e análise sensorial, garantindo as certificações que comprovam a excelência dos grãos brasileiros.

Nesse processo de classificação, são retiradas amostras de diferentes pontos dos lotes armazenados, e os grãos são escaneados com auxílio de equipamentos que identificam defeitos, calculam a peneira e verificam a umidade. Em seguida, vem a análise sensorial, na qual especialistas avaliam fragrância, sabor e notas do café, como chocolate, caramelo e nozes, etapa fundamental para definir o valor final do produto.

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