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Preço do leite ao produtor sobe 31% no ano, mas setor segue em alerta

Preço do leite ao produtor sobe 31% no ano, mas setor segue em alerta

O preço do leite pago ao produtor no Brasil subiu 31% de janeiro a abril, mas o setor leiteiro segue em situação delicada, pressionado por custos altos, importações recordes e a iminente extinção do programa Mais Leite Saudável.

O preço do leite pago ao produtor no Brasil segue em patamar bem superior ao do início do ano, mas, depois de quatro meses de alta, começou a perder força. A valorização é comum nesta época do ano, considerada de entressafra, mas, segundo os produtores, também reflete o declínio dos preços no ano passado, que chegou a desestimular a atividade.

Os números mostram a dimensão do movimento. De janeiro a abril, o preço médio nacional do leite ao produtor subiu 31%, passando de R$ 2,02 para R$ 2,65, segundo o CPEA da Esalq/USP. A elevação também teve reflexo nas gôndolas dos supermercados, com o leite acumulando alta de 22,32% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo desde o início do ano.

Mesmo com a recuperação, a situação ainda é descrita como delicada. O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite, a AbraLeite, Geraldo Borges, afirma que os preços reagiram nos últimos meses, mas ainda não atingiram os patamares do mesmo período do ano anterior. Para ele, a defasagem na remuneração do produtor continua tirando gente da atividade e inviabilizando a produção no futuro próximo.

Entre as maiores preocupações do setor está o dumping. Segundo Geraldo Borges, o setor produtivo, capitaneado pela CNA e apoiado pela AbraLeite, pela OCB e por outras entidades, pede há cerca de um ano e meio que o governo combata a prática de países do Mercosul, como Argentina e Uruguai. Ele afirma que uma investigação do MDIC já constatou o dumping e que as medidas antidumping deveriam ser aplicadas de imediato, o que, segundo ele, não vem acontecendo.

O dirigente lembra que o país vive momentos recordes de importação de leite em pó e queijos desde 2022. Para ele, o aumento das importações, somado à saída de produtores da atividade, cria o risco de o Brasil deixar de ser autossuficiente e passar a depender do leite estrangeiro. Caso isso ocorra, alerta, a conta acabaria sendo paga pela própria população, que consome o produto em todas as classes.

A pressão sobre o produtor também vem dos custos elevados de produção. Borges cita a alta dos combustíveis, fertilizantes e sementes, lembrando que a atividade depende fortemente do diesel, usado tanto na lavoura para alimentar os animais quanto na captação e no transporte do leite. Segundo ele, a cadeia leiteira emprega cerca de 5 milhões de pessoas, de forma direta e indireta, no campo e nas cidades.

Outro ponto de atenção é o programa Mais Leite Saudável, que, segundo o dirigente, está prestes a ser extinto em dezembro em decorrência do fim do PIS e da Cofins na nova reforma tributária. O setor defende a criação de um novo mecanismo de incentivo no lugar do programa. A esses desafios soma-se ainda o fator climático, já que um ano de El Niño pode afetar a pecuária leiteira de diferentes formas.

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