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Estudo da Embrapa mostra que oferecer sombra ao gado aumenta a produção de leite em 22% e multiplica a capacidade reprodutiva

Estudo da Embrapa mostra que oferecer sombra ao gado aumenta a produção de leite em 22% e multiplica a capacidade reprodutiva

Pesquisa da Embrapa Cerrados aponta que vacas da raça gir leiteiro criadas em áreas com árvores produzem até quatro vezes mais embriões no período mais quente do ano e, em média, 22% mais leite. A sombra reduz o estresse térmico dos animais, em um modelo de integração lavoura-pecuária-floresta.

Uma pesquisa da Embrapa mostra que oferecer sombra ao gado pode aumentar a produção de leite e até multiplicar a capacidade reprodutiva do animal. Em meio ao calor do cerrado, um detalhe faz toda a diferença, e esse detalhe é justamente a sombra proporcionada pelas árvores.

Pesquisadores da Embrapa Cerrados descobriram que vacas da raça gir leiteiro criadas em áreas com árvores produzem até quatro vezes mais embriões durante o período mais quente do ano. Em laboratório, foram avaliadas tanto a quantidade quanto a qualidade desses embriões.

Os ganhos não param na reprodução. Os animais com acesso à sombra também produzem, em média, 22% a mais de leite e com melhor qualidade. A explicação está na redução do estresse térmico, que deixa as vacas mais confortáveis, fazendo com que comam melhor, ruminem mais e apresentem índices melhores tanto na produção quanto na reprodução.

O chamado estresse térmico acontece quando o calor é maior do que a capacidade do animal de se resfriar. Com a presença de árvores, a temperatura corporal dos animais diminui, o comportamento melhora e o resultado acaba aparecendo no campo, em forma de mais leite e mais embriões.

O trabalho foi conduzido no Centro de Tecnologia para as Raças Zebuínas Leiteiras da Embrapa Cerrados, na área rural do Recanto das Emas. Segundo o pesquisador Carlos Frederico, que acompanhou o estudo desde o início, foi uma pesquisa de longo prazo, de três anos, voltada a verificar o impacto da integração lavoura-pecuária-floresta na produção e na produtividade de leite em raças como o gir leiteiro e o girolando.

O estudo começou ainda na implantação da área, com o plantio de soja, milho e sorgo, a confecção de silagem para os animais, o uso dos grãos na ração e o plantio das árvores, seguido da mensuração do comportamento do sistema e do efeito da sombra sobre a fisiologia geral e reprodutiva dos animais. A sombra também transforma o pasto, já que o capim cultivado em áreas arborizadas tem até 30% mais proteína e proporciona uma digestão mais fácil.

Conhecido como integração lavoura-pecuária-floresta, esse modelo vem crescendo no Brasil e já é considerado uma alternativa sustentável de produção. Além do leite, o produtor ainda pode lucrar com a madeira das árvores, em um sistema descrito como rentável, sustentável e agroambientalmente correto, que melhora a qualidade do leite e tende a render melhores preços na venda.

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