O Departamento de Comercio dos Estados Unidos recomendou a aplicacao de tarifa de 25% sobre uma serie de produtos brasileiros no ambito da Secao 301, alegando que praticas do governo brasileiro seriam irrazoaveis e restritivas ao comercio norte-americano. No entanto, produtos fundamentais do agronegocio ficaram de fora.
Cafe, carne bovina, suco de laranja, manga, hortalicas, frutos do mar, nozes, especiarias e amido de mandioca estao entre os produtos excluidos da possivel tarifa. Segundo economistas, a Casa Branca levou em consideracao que esses itens encarecem a vida do consumidor americano basico e geram inflacao.
Cerca de 20% das exportacoes brasileiras para os Estados Unidos seriam afetadas pela tarifa, caso a recomendacao seja implementada. O economista Igor Lucena destacou que a medida nao e imediata, pois trata-se de uma sugestao do Departamento de Comercio que ainda pode ser negociada.
O governo brasileiro ja se manifestou disposto ao dialogo. O presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciaram que vao ouvir empresarios de todos os setores antes de levar um pacote de informacoes ao governo norte-americano. A diplomacia sera o caminho prioritario.
O prazo maximo para envio de solicitacoes de comparecimento a audiencia publica e 22 de junho. Apos o encerramento dos prazos, a recomendacao pode se tornar politica ativa da Casa Branca, o que torna urgente a negociacao bilateral.
A China foi um dos primeiros paises a defender o Brasil quando a Secao 301 foi anunciada. Analistas alertam que quanto mais o Brasil tem animosidade com os EUA, mais espaco se abre para a influencia geopolitica chinesa, especialmente no setor automobilistico e tecnologico.
Especialistas defendem que o Brasil precisa repensar sua estrategia de lobby internacional, nao como abertura para corrupcao, mas como sistema de defesa da industria e do agronegocio nacional. Sem essa capacidade, o pais continuara vulneravel a sancoes comerciais de grandes potencias.
