A chegada de produtos chineses a preços mais baixos disparou no Brasil com o fim da chamada taxa das blusinhas. Se num primeiro momento a mudança é boa para o consumidor, que passa a pagar menos, ela atinge em cheio dois setores que empregam muito e geram renda no país: o comércio e a indústria.
Do lado de quem compra, a suspensão da cobrança virou oportunidade para renovar o guarda-roupa sem precisar sair de casa. Uma consumidora, Solange, contou que já adquiriu cerca de 15 peças aproveitando o período sem a taxa, com parte das encomendas já entregue e outra ainda a caminho. Questionada se a compra valeu a pena, respondeu que sim e disse ter economizado muito.
A medida que provocou essa corrida às compras foi tomada em maio, quando o governo federal revogou o imposto de importação de 20% que incidia sobre as encomendas internacionais de valor abaixo de 50 dólares. Sem a cobrança, o custo final dos produtos vindos do exterior caiu, tornando as compras em plataformas estrangeiras mais atrativas para o consumidor brasileiro.
O impacto da decisão foi rápido e pode ser medido em números. Em junho, as remessas internacionais destinadas ao Brasil cresceram 72% na comparação com o mês de abril, período em que ainda havia a taxação. O salto mostra como a retirada do imposto alterou de forma imediata o comportamento de compra dos brasileiros nas plataformas de fora do país.
A mudança, porém, não é definitiva. A medida provisória que acabou com a taxa das blusinhas tem validade até setembro, quando precisará ser aprovada, modificada ou rejeitada pelo Congresso Nacional. Caso não seja votada dentro do prazo, a medida perde o efeito, o que traz incerteza sobre as regras futuras para as compras internacionais de baixo valor.
A retirada do imposto, no entanto, divide opiniões. Entidades que representam o comércio defendem a volta da cobrança, alegando uma concorrência desleal dos produtos importados frente aos vendidos internamente. Segundo esse setor, o impacto no varejo está muito forte, e a consequência se espalha pela cadeia: se o varejo não compra, a indústria não vende, prejudicando toda a estrutura produtiva ligada ao consumo.
