O governo federal anunciou 18,5 bilhões de reais em linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O pacote, batizado de Brasil Soberano 3, foi apresentado como uma resposta às taxas que passaram a valer nesta quarta-feira e busca dar fôlego a setores que vêm sentindo os efeitos das barreiras comerciais norte-americanas.
Do total anunciado, 5 bilhões de reais serão disponibilizados pelo BNDES e 13 bilhões e meio virão do Tesouro Nacional, além de recursos originados de renegociações. A composição mistura fontes diferentes de financiamento, ampliando o volume disponível para as empresas que buscarem apoio dentro do programa neste momento.
Segundo o governo, as medidas contemplam tanto os setores atingidos pelas tarifas anteriores dos Estados Unidos quanto aqueles impactados pela nova taxação que entrou em vigor hoje. O plano também prevê atenção a áreas que sofrem os efeitos de conflitos internacionais, ampliando o alcance das ações para além da questão estritamente tarifária.
Os recursos poderão ser usados de diferentes formas pelas empresas. Entre as finalidades previstas estão o capital de giro, investimentos, inovação em tecnologia, adaptação de produtos e processos e a busca por novos mercados, em um esforço para reduzir a dependência das vendas direcionadas ao mercado norte-americano.
Entre os setores mais afetados pelas tarifas estão os de madeira, carvão, máquinas e equipamentos elétricos, plásticos, calçados, papel e açúcar. O plano também foi direcionado a áreas consideradas estratégicas pelo governo, como a de minerais críticos e o setor farmacêutico, apontados como prioritários dentro da política de resposta às barreiras.
O anúncio foi apresentado de forma conjunta por vários ministérios, sinalizando que a resposta às tarifas envolve diferentes frentes da administração federal. A articulação entre as pastas reforça o caráter amplo do programa, que tenta combinar crédito, incentivo à inovação e diversificação de mercados em um único conjunto de medidas.
Além do pacote de crédito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou um projeto de lei, que também havia tramitado como medida provisória, voltado ao financiamento de exportadores, fornecedores e empresas de setores industriais. A medida complementa o conjunto de ações destinadas a proteger a economia diante do novo cenário tarifário imposto pelos Estados Unidos.
