O governo federal ampliou o acesso ao crédito para empresas atingidas pelo tarifaço dos Estados Unidos. A medida faz parte de uma nova etapa do programa Brasil Soberano, que já está em vigor. O objetivo é agilizar a liberação de recursos para o setor produtivo. Com isso, o governo busca conter os efeitos da disputa comercial sobre a indústria e o emprego.
A principal mudança está nas regras de acesso ao programa. A partir de agora, empresas que tiveram queda de pelo menos 1% no faturamento bruto por causa das tarifas americanas podem pedir financiamento. Antes, era preciso comprovar uma perda de pelo menos 5% na receita. A flexibilização amplia o número de empresas que podem aderir.
O volume de recursos disponível é expressivo. Ao todo, estão disponíveis 21 bilhões de reais em linhas de crédito. Esse montante é destinado a apoiar as empresas afetadas pela disputa comercial. A liberação ocorre por meio do programa Brasil Soberano.
O programa também define quais empresas podem participar. Podem aderir empresas exportadoras de bens industriais e os seus fornecedores. Entre os setores contemplados estão o farmacêutico, o automotivo e o de fertilizantes. Também estão incluídos os setores de tecnologia e de minerais críticos.
A própria origem do programa está ligada à disputa comercial. Ele foi criado em resposta à primeira rodada de tarifas de 50% aplicadas pela Casa Branca a produtos brasileiros no ano passado. Na versão inicial, as empresas afetadas apenas de forma indireta acabaram ficando de fora. A nova etapa busca corrigir esse ponto.
A mudança nas regras atendeu a um pedido específico do setor. Empresários e governadores haviam solicitado a flexibilização das condições. A avaliação do governo é que o programa precisava ser ampliado. O objetivo é evitar a perda de investimentos e as demissões em setores ligados ao comércio exterior.
Os números já mostram a procura pelo crédito. Na segunda etapa, o BNDES já recebeu quase 7 bilhões de reais em pedidos de financiamento. Os juros variam de 0,9% a 1,4% ao mês. Segundo o governo, a meta é fortalecer a capacidade produtiva, gerar emprego e diversificar as exportações para outros países.
