As novas tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos podem ter um efeito severo sobre o Rio Grande do Sul. Um levantamento da assessoria econômica da Farsul aponta que cerca de 334 milhões de dólares em exportações gaúchas estariam ameaçados, expondo o estado a um impacto comercial significativo caso as medidas sejam efetivamente aplicadas.
Segundo o estudo, 81% das exportações do Rio Grande do Sul destinadas ao mercado norte-americano estariam sujeitas à sobretaxa de 25%. Esse percentual elevado é o que sustenta a estimativa de impacto tarifário potencial de 334 milhões de dólares sobre o estado, um valor que preocupa o setor produtivo gaúcho.
O relatório demonstra ainda que o Rio Grande do Sul é desproporcionalmente mais vulnerável do que outras regiões do país. A explicação está na composição da pauta exportadora gaúcha, concentrada em madeira, fumo e produtos florestais, setores que acabaram ficando de fora das listas de exclusão elaboradas pelo escritório comercial americano.
O contraste com a média nacional é expressivo. Enquanto o Brasil tem 56,3% de suas exportações totais protegidas pelas exclusões, o Rio Grande do Sul conta com apenas 18,9% nessa condição. Isso significa que a maior parte do que o estado vende aos Estados Unidos ficaria exposta às novas cobranças.
No setor agropecuário, a diferença é ainda mais acentuada. Enquanto cerca de 36% do agronegócio brasileiro exportado aos Estados Unidos estaria dentro da proposta de tarifação, no Rio Grande do Sul esse percentual chega a quase 75%. O impacto tarifário potencial sobre o agro gaúcho, segundo o levantamento, seria de 144 milhões de dólares.
Entre os produtos mais afetados está o suco de laranja industrializado, que não entrou para a lista de exceções, ao contrário do café, da carne, das frutas frescas e da celulose, que ficaram isentos. Os sucos de frutas e vegetais estão entre os dez produtos mais exportados ao território norte-americano e respondem por mais de 1,5 bilhão de dólares em transações.
A lógica por trás das escolhas chama atenção. A laranja fresca, como fruta, permanece na lista de exceção, mas o suco industrializado é atingido pela tarifa, em parte porque na Flórida existe uma indústria de suco de laranja que vem crescendo e concorre diretamente com o Brasil. O caso ilustra como a seleção de produtos busca proteger a economia americana enquanto transfere a conta extra para setores específicos das exportações brasileiras.
