As exportações brasileiras de carne de frango alcançaram um marco inédito. Pela primeira vez, os embarques de carne de frango in natura e processada ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em um único mês. O resultado foi registrado em maio e representa o maior faturamento mensal já obtido pelo setor. Para a indústria, trata-se de um patamar que nunca havia sido atingido antes.
O crescimento na comparação anual também chamou a atenção. A receita com os embarques de carne de frango cresceu 36,1% em relação ao mesmo período de 2025. O salto mostra a força da demanda externa pelo produto brasileiro e a capacidade do setor de ampliar as vendas mesmo diante de um cenário internacional complicado. Foi um avanço expressivo em apenas doze meses.
O desempenho positivo não se limitou ao frango. As vendas externas de carne suína in natura e processada somaram mais de 129 mil toneladas em maio. Esse também foi o maior volume já registrado para o mês, com um avanço anual de 9%. Os dois recordes, no frango e no suíno, reforçam o peso do agronegócio de proteína animal na pauta de exportações do país.
Para entender o resultado, o setor destaca o contexto em que ele foi obtido. Segundo Estevam Carvalho, gerente executivo de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal, a ABPA, o desempenho se torna ainda mais especial quando se leva em conta o cenário atual. Ele lembrou que o setor vinha enfrentando uma sucessão de desafios. Mesmo assim, conseguiu superar a marca histórica de faturamento.
Entre os obstáculos recentes está a sombra da gripe aviária registrada no ano passado, que pressionou o setor avícola. A esse desafio somou-se o conflito no Oriente Médio, uma região estratégica para o Brasil quando se fala de carne de frango. De acordo com a entidade, quase 30% das exportações brasileiras de frango vão historicamente para aquela parte do mundo. Por isso, a instabilidade na região representa um risco direto para o setor.
O agravamento do conflito no Golfo Pérsico criou um problema logístico concreto. Com o Estreito de Ormuz ainda fechado, o caminho tradicional para parte das vendas ficou comprometido. Diante disso, segundo a ABPA, o setor demonstrou resiliência e buscou rotas alternativas para levar o produto até esses mercados consumidores. São compradores que também dependem da proteína brasileira, o que ajudou a sustentar o ritmo dos embarques.
Ao mesmo tempo, o Brasil tem reforçado sua presença em outros destinos. A entidade aponta uma posição sólida nos mercados asiáticos e também no mercado europeu. Segundo Estevam Carvalho, a Europa aumentou recentemente as suas compras, em meio à insegurança gerada pelo debate em torno da questão dos antimicrobianos. A diversificação de destinos aparece, assim, como uma das chaves para o resultado recorde e para a continuidade das vendas nos próximos meses.
