O calor extremo que atinge o norte do Brasil tem surpreendido até quem já está acostumado com as altas temperaturas da região. Segundo especialistas, a onda de calor está associada ao El Niño, fenômeno que, de acordo com as projeções, pode ser um dos mais intensos já registrados nas últimas sete décadas e deve continuar forte até o início do próximo ano, mantendo a pressão sobre as cidades da região.
A sensação nas ruas dá a dimensão do problema. Moradores relatam que o calor é tão forte que parece queimar a pele já ao sair de casa, um desconforto que se espalha pelo cotidiano da população e transforma tarefas simples do dia a dia em um verdadeiro desafio à saúde, sobretudo para as pessoas mais vulneráveis aos efeitos das temperaturas elevadas.
Os especialistas explicam o que está por trás desse calorão. Segundo o relato, trata-se de um efeito comparado ao de uma panela de pressão: uma espécie de tampão se forma sobre a região e faz com que haja maior entrada de radiação solar, o que resulta em temperaturas ainda mais altas do que as já esperadas para esta época do ano no norte do país.
Diante desse cenário, o poder público começou a se organizar. De acordo com o relato, um protocolo de ação está sendo elaborado em conjunto pela Prefeitura de Belém, pelo governo do estado e pela União, com o objetivo de enfrentar o calor extremo e reduzir os riscos que ele representa para a saúde dos moradores da cidade nos próximos meses.
As medidas previstas combinam resposta imediata e planejamento de longo prazo. Segundo o relato, entre as principais ações estão a instalação de pontos de hidratação espalhados por toda a cidade e o plantio de um milhão de árvores, com a ideia de multiplicar os espaços arborizados e ampliar as áreas de sombra que ajudam a amenizar as temperaturas ao longo do dia.
Os planos de enfrentamento ganham importância porque os efeitos do fenômeno não são iguais em todo o território. De acordo com o relato, enquanto o norte enfrenta o calor, na região sul o El Niño provoca a intensificação das chuvas, como ocorreu no episódio trágico registrado no Rio Grande do Sul, o que exige estratégias diferentes para cada parte do país.
Por trás de tudo está a dinâmica do próprio fenômeno. Segundo o relato, o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e pelo enfraquecimento dos ventos alísios, que sopram de leste para oeste. As águas do Pacífico chegaram a ficar cerca de dois graus Celsius acima do normal, e a expectativa é de que o fenômeno mantenha a força nos próximos meses.
