O governo federal destinou R$ 337 milhões para ações voltadas ao combate ao desmatamento, à prevenção de incêndios e à fiscalização ambiental. O valor será dividido entre dois órgãos responsáveis pela proteção do meio ambiente no país, em uma medida apresentada como reforço para a atuação em campo. A destinação chega em um momento em que o tema ambiental está no centro das atenções, tanto pela cobrança interna quanto pela pressão de outros países.
Do total anunciado, R$ 194 milhões serão repassados ao IBAMA, enquanto os outros R$ 143 milhões irão para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio. A divisão concentra a maior parte dos recursos no IBAMA, que atua diretamente na fiscalização, mas garante uma fatia expressiva ao instituto encarregado das unidades de conservação espalhadas pelo território nacional.
No caso do ICMBio, o dinheiro será usado para a atuação nas unidades de conservação, além da compra de equipamentos e do reforço na estrutura operacional do órgão. A ideia é dar mais condições para o trabalho de campo, em áreas que muitas vezes ficam distantes e exigem logística específica para a presença do poder público. Já os recursos repassados ao IBAMA serão direcionados à proteção em áreas federais.
Segundo a estimativa apresentada, a área protegida com essa destinação de recursos deve alcançar cerca de 148 mil quilômetros quadrados. O número dá a dimensão do alcance pretendido com o reforço financeiro, que busca ampliar a capacidade de monitoramento e de resposta em regiões sob risco de desmatamento e de incêndios.
O anúncio ocorre semanas depois de os Estados Unidos terem incluído o desmatamento brasileiro em uma lista de pontos considerados irregulares pelo país. Em resposta, o governo brasileiro rebateu as críticas com informações de que o desmatamento caiu na Amazônia e no Cerrado, procurando contrapor os dados oficiais ao questionamento externo.
O combate ao desmatamento e aos incêndios é tratado como uma pauta de alcance mundial, e diferentes países e blocos acompanham de perto as ações brasileiras. A União Europeia está entre os que cobram do Brasil medidas concretas nessa área, e em muitos casos a discussão vem acompanhada de ameaças de tarifas ou de embargo a produtos ligados a questões ambientais, o que ajuda a explicar a necessidade apontada para esse tipo de investimento.
