Minas Gerais é o estado brasileiro com o maior número de municípios em situação de vulnerabilidade a desastres, segundo dados do governo federal. A combinação de relevo acidentado e de atividades de mineração deixa parte da população mineira em situação de risco permanente. O quadro voltou a ganhar destaque após um novo levantamento sobre o tema.
De acordo com o levantamento, quase 1,5 milhão de pessoas vivem em áreas de risco no estado. Esse número corresponde a cerca de 10% de toda a população mineira. São moradores expostos a ameaças como enchentes e deslizamentos, especialmente em regiões de terreno acidentado.
Uma auditoria do Tribunal de Contas do estado analisou como os recursos públicos vêm sendo aplicados no enfrentamento desses desastres. O estudo revelou que, nos últimos 13 anos, o valor gasto para reparar os estragos foi quase o dobro do que foi investido em prevenção. O resultado expõe um desequilíbrio entre remediar e evitar os danos.
Entre 2012 e 2025, o estado destinou 823 milhões de reais a ações de socorro às vítimas e à reconstrução de áreas atingidas. A avaliação apresentada é de que corrigir um problema já ocorrido costuma custar bem mais do que evitá-lo. Parte desse gasto, segundo o levantamento, poderia ser reduzida com mais investimento em prevenção.
O levantamento também chama atenção para a importância do preparo dos municípios. Segundo a análise, quando uma cidade não está bem preparada e não realiza o trabalho de prevenção, as consequências de um desastre tendem a ser maiores. A capacidade de resposta das prefeituras fica diretamente ligada a esse preparo prévio.
O tema ganha relevância em um cenário de contrastes climáticos no país. Enquanto algumas regiões sofrem com enchentes, o sudeste e o centro-oeste também enfrentam períodos de tempo seco. Em Minas Gerais, no entanto, não é apenas o clima que provoca desastres, já que o relevo e a mineração ampliam os riscos para a população.
