Um peixe invasor encontrado na Praia do Porto da Barra, em Salvador, tem preocupado pesquisadores que acompanham a vida marinha no litoral baiano. Trata-se do peixe-leão, uma espécie que não possui predador natural na costa brasileira e que, justamente por isso, pode ameaçar o equilíbrio do ecossistema da região, segundo o alerta feito pela reportagem da Record News.
O animal foi visto por um mergulhador profissional a cerca de doze metros de profundidade. As cores chamam a atenção e a aparência pode até enganar quem observa, mas por trás do visual exótico está uma espécie nativa do Oceano Índico, distante do ambiente em que agora foi flagrada, no fundo do mar de Salvador.
A principal característica do peixe-leão são os seus dezoito espinhos venenosos. Caso alguém venha a se furar com o animal, o contato pode trazer danos à saúde, chegando a provocar um possível ataque anafilático. Nos casos mais severos, segundo os especialistas, a reação pode levar até a uma parada cardíaca, o que reforça o cuidado de banhistas e mergulhadores.
No litoral de Salvador, a primeira captura da espécie foi registrada em abril do ano passado, um sinal de que a presença do peixe na região não é totalmente recente. Desde então, o acompanhamento tem se intensificado, à medida que novos exemplares vão sendo localizados e a preocupação com a disseminação do animal aumenta entre os estudiosos.
Os peixes invasores que vêm sendo encontrados estão sendo retirados do mar e enviados à Universidade Federal da Bahia. Nos laboratórios da instituição, os pesquisadores buscam entender melhor a origem, o comportamento e os impactos do peixe-leão sobre o ecossistema marinho, reunindo informações que possam orientar as ações de controle da espécie.
A dimensão do problema vai além da Bahia. A presença do peixe-leão já foi registrada em oito estados brasileiros, o que mostra que o avanço da espécie acontece em diferentes pontos do litoral. Em Fernando de Noronha, em Pernambuco, mergulhadores do Instituto ICMBio realizam capturas frequentes para tentar conter o crescimento da população do animal.
O risco está ligado ao próprio comportamento da espécie. O peixe-leão se alimenta de diversos tipos de peixes e crustáceos e, sem encontrar predadores naturais por aqui, atua livremente sobre a fauna local. A preocupação se agrava porque se trata de um animal considerado extremamente agressivo, que se reproduz de forma muito rápida e que também cresce em ritmo acelerado.
