O governo de São Paulo anunciou que passará a gerir o sistema Cantareira de forma separada dos demais mananciais, em uma tentativa de reduzir o risco de falta de água. É nesses reservatórios que começa o caminho da água que chega às torneiras da Grande São Paulo. A mudança busca dar mais previsibilidade ao abastecimento de uma das regiões metropolitanas mais populosas do país.
Pela nova metodologia, as projeções dos mananciais passarão a ser feitas com base na média do volume de chuva de um período de 15 anos. Antes, segundo o governo, os cálculos eram baseados em cenários de crise pontuais, o que dava uma leitura menos estável da situação. A intenção é tornar o monitoramento mais técnico e menos sujeito a oscilações momentâneas.
O anúncio chega em um momento delicado para o abastecimento da Grande São Paulo. O sistema Cantareira, principal fonte de água da região metropolitana, opera atualmente em nível de alerta. As represas estão com apenas 39% da capacidade, número que acende o sinal de atenção para os próximos meses e justifica a revisão da forma de gestão.
Entre as mudanças, o Cantareira passa a ser monitorado separadamente dos outros mananciais do sistema integrado metropolitano. As medidas de restrição vão variar de acordo com o nível de risco de desabastecimento identificado em cada momento. A situação será avaliada mensalmente, permitindo ajustes conforme a evolução dos reservatórios ao longo do tempo.
Por enquanto, para o Cantareira, a regra permanece a mesma que já vinha sendo adotada. Isso significa a manutenção de uma gestão de demanda noturna de dez horas, período em que há redução no fornecimento de água. A medida busca preservar os estoques durante a madrugada, quando o consumo da população costuma ser menor.
O governo estadual afirmou que a nova forma de gestão também tem como objetivo dar mais transparência ao processo. A ideia é permitir que a população acompanhe de perto tanto a situação dos reservatórios quanto as obras em andamento no sistema. Com isso, as autoridades esperam manter o abastecimento sob controle nos próximos meses, mesmo diante das incertezas sobre o volume de chuvas.
