Uma quantidade recorde da alga sargaço vem atingindo as praias do Caribe mexicano e provocando danos cada vez maiores. Ao se acumular na areia, o sargaço levou ao fechamento de importantes destinos turísticos e está causando prejuízos econômicos crescentes a hotéis, restaurantes e estabelecimentos comerciais da região.
O problema é agravado pela rapidez com que a alga se decompõe. Ao apodrecer, o sargaço libera um cheiro frequentemente comparado ao de óleo. Essa massa sem precedentes de algas, que segundo cientistas é causada pelo aumento das temperaturas, levou o governo a adotar medidas de combate ao problema ao longo do litoral afetado.
O fenômeno cresceu de forma expressiva com o passar dos anos. De acordo com o relato, o sargaço, que antes se limitava a poucos meses por ano, passou a ser um fenômeno intenso que se estende por oito a nove meses por ano, com milhões e até bilhões de toneladas de alga chegando ao litoral e alterando a cor do mar.
Na Riviera Maya, no estado de Quintana Roo, trabalhadores se alinham em muitas praias para remover montanhas de algas da faixa de areia. A governadora da região estimou que o combate ao sargaço equivale a aproximadamente 11% do PIB local, um dado que dá a dimensão do peso econômico assumido pelo problema.
O vereador de Tulum afirmou que a queda no turismo é extremamente preocupante. Ele destacou que se trata de uma macroalga que vem crescendo a cada ano e chamou a atenção para as chegadas cada vez mais severas, massivas e duradouras da alga, que comprometem seriamente a experiência à beira-mar nos principais pontos turísticos.
Além dos custos econômicos, há impactos sobre a biodiversidade e sobre a saúde. Um professor pesquisador do Instituto Oceanográfico Harbor Branch, da Universidade Atlântica da Flórida, explicou que, quando o sargaço chega em massa, em quantidades muito grandes, ele começa a se decompor em um período de 24 a 48 horas.
Segundo o pesquisador, nesse processo a alga pode liberar gás sulfídrico tóxico, o que representa um risco à saúde, e também metais pesados na areia das praias, como o arsênio. Ele defendeu que o Caribe precisa de um sistema que conecte observações por satélite e previsões a ações direcionadas de intervenção. Autoridades ambientais projetam que 119 mil toneladas de sargaço chegarão às praias até o fim do ano, superando o recorde anterior de 96 mil toneladas registrado no ano passado.
