Morreu nesta quarta-feira, aos 98 anos, no Rio de Janeiro, Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes do cinema brasileiro. Diretor, produtor e fotógrafo, ele enfrentava problemas de saúde havia cerca de dois anos e estava internado desde a última terça-feira. A notícia de sua morte foi recebida com pesar no meio cultural do país, que passou a lamentar a perda de uma de suas figuras mais influentes.
Ao longo de uma trajetória que se estendeu por seis décadas, Barreto se firmou como uma figura central da história do audiovisual nacional. Sua atuação atravessou diferentes funções dentro do cinema, da fotografia à produção, e o transformou em uma referência para várias gerações de cineastas brasileiros que vieram depois dele.
Barreto foi um dos protagonistas do Cinema Novo, movimento que revolucionou o audiovisual brasileiro nos anos 1960. Ao lado de outros nomes fundamentais daquela geração, ajudou a moldar uma linguagem própria para o cinema nacional e a colocá-lo em evidência, com obras que marcaram época e permanecem como referência até hoje.
Entre os trabalhos mais lembrados de sua carreira estão a direção de fotografia de Vidas Secas e de Terra em Transe, dois clássicos do cinema nacional. Os dois filmes são considerados marcos do período e ajudam a explicar a importância de Barreto na construção da estética que definiu boa parte da produção brasileira daquela época.
Em reconhecimento à sua contribuição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretou luto oficial de três dias. A homenagem reforça o peso da figura de Barreto não apenas para o cinema, mas para a cultura brasileira como um todo, em um gesto que sinaliza a dimensão da perda para o país neste momento.
Para falar sobre a importância do cineasta, o jornalista e crítico de cinema Francisco Carbone, membro da Abracine, destacou o tamanho do vazio deixado por ele. "O primeiro dos Carlos Barreto, o nosso Barretão, partiu, e é difícil mensurar a diferença entre a ausência e a presença desse homem", afirmou ao comentar a trajetória do diretor.
Carbone ressaltou ainda que a ausência de Barreto representaria a perda de uma grande parcela do melhor que foi produzido no país e lembrou o papel dele na criação do Cinema Novo, inclusive como fotógrafo, como algo que não tem como medir. Para o crítico, trata-se de um pedaço essencial daquilo que o cinema brasileiro produziu ao longo de sua história.
