Wall Street sofreu um dos seus piores dias do ano, com os três principais índices acionários dos Estados Unidos recuando com força em uma venda generalizada provocada por um relatório de empregos surpreendentemente forte e por uma retirada repentina das ações de inteligência artificial, que vinham impulsionando o mercado para cima havia semanas. No fechamento, o tombo já havia apagado mais de um trilhão de dólares em valor de mercado, revertendo de forma abrupta uma longa sequência de ganhos que tinha levado os índices a máximas históricas.
O Nasdaq Composite, de forte peso tecnológico, foi o mais castigado, despencando mais de 4 por cento no que foi seu pior pregão desde abril de 2025. O índice vinha de uma forte alta alimentada pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial, mas esse impulso se reverteu de forma violenta, com os investidores correndo para retirar dinheiro justamente das ações que haviam liderado a subida nos últimos meses.
O mais amplo S&P 500 caiu cerca de 2,64 por cento, marcando sua maior queda em um único pregão desde outubro, enquanto o Dow Jones Industrial perdeu cerca de 695 pontos, ou 1,35 por cento, em sua pior sessão em aproximadamente três meses. A dimensão das quedas nos três índices deixou claro com que rapidez o humor azedou após um período prolongado de otimismo em Wall Street.
Um dos principais gatilhos foi o último relatório de empregos dos Estados Unidos, que veio muito mais forte do que o esperado. Os empregadores criaram 172.000 vagas em maio, mais do que o dobro do que muitos economistas haviam previsto, enquanto a taxa de desemprego ficou estável em 4,3 por cento. Longe de comemorar a força, os mercados se assustaram, temendo que um mercado de trabalho robusto levasse o Federal Reserve a priorizar o combate à inflação em vez de cortar os juros.
Com um relatório de empregos tão forte em mãos, os operadores reduziram rapidamente suas apostas em novos cortes de juros, e alguns agora dão como praticamente descartada outra redução em 2026. Juros mais altos por mais tempo costumam atingir com mais dureza as ações mais especulativas e de longa duração, e essa pressão recaiu em cheio sobre os papéis de tecnologia e de chips que haviam se tornado os favoritos do mercado.
Somou-se a isso um forte recuo dos semicondutores. Uma previsão mais fraca do que o esperado para os chips de inteligência artificial por parte da Broadcom derrubou suas ações e arrastou todo o setor, com nomes ligados à memória, como a Micron, caindo com força. O fundo negociado em bolsa iShares Semiconductor ETF despencou cerca de 10 por cento à medida que se desfazia rapidamente o entusiasmo que havia inflado o setor.
O índice de Semicondutores da Filadélfia sofreu sua maior queda percentual em um único pregão desde março de 2020, apagando mais de um trilhão de dólares em valor de mercado. Para um mercado que havia se acostumado a renovar recordes, a guinada brusca serviu como um duro lembrete de quão concentrados haviam ficado os ganhos recentes e de quão expostos estavam os investidores a qualquer mudança nas perspectivas para os chips e os juros.
