O endividamento das famílias brasileiras bateu um novo recorde. De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC, em julho 82% dos consumidores tinham algum tipo de dívida ativa. Na prática, isso significa que oito em cada dez brasileiros carregam hoje uma dívida em seu próprio nome.
Segundo a CNC, esse é o maior nível desde o início da série histórica da pesquisa, o que representa o sexto recorde consecutivo. Na comparação com julho do ano passado, o indicador avançou 3,5 pontos, confirmando uma trajetória de alta que vem se repetindo mês após mês no orçamento das famílias brasileiras.
Além do número total de endividados, a pesquisa aponta outro dado considerado preocupante. Cerca de 19% das famílias têm mais da metade de toda a sua renda comprometida com o pagamento de dívidas, o que indica um grau bastante elevado de comprometimento do orçamento mensal desse grupo de consumidores.
O peso das dívidas aparece de forma ainda mais acentuada entre as famílias de menor renda. Entre aquelas que recebem até três salários mínimos, o percentual de endividados chegou a 84,9%, mostrando que o comprometimento com dívidas é maior justamente nas faixas que têm menos margem para absorver aumentos de custo.
Nem todos os indicadores pioraram no período. O percentual de famílias em atraso com suas contas teve uma pequena melhora entre junho e julho, um movimento que contrasta com o patamar recorde do endividamento total registrado no mesmo mês pela Confederação Nacional do Comércio.
Para o economista-chefe da CNC, a redução da taxa Selic anunciada nesta quarta-feira pelo Banco Central é um passo importante para melhorar as condições de crédito no país. Ainda assim, ele pondera que os efeitos dessa decisão não são imediatos e devem levar algum tempo para chegar de fato ao bolso das famílias.
Mesmo com o avanço da renda média e com o controle da inflação, a avaliação é de que o cenário exige cautela. Isso porque o orçamento das famílias continua pressionado pelo volume de dívidas já acumuladas, um estoque que permanece elevado e limita qualquer alívio mais rápido para os consumidores.
