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IPCA de maio fecha em 0,58% e alimentos respondem por metade da inflação do mês

IPCA de maio fecha em 0,58% e alimentos respondem por metade da inflação do mês

O IBGE divulgou nesta sexta-feira o IPCA de maio, que fechou em 0,58%. O grupo de alimentação e bebidas respondeu por cerca de metade da inflação do mês, no maior resultado para maio em 16 anos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, referente ao mês de maio foi divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE e fechou em 0,58%. O dado mostrou que o grupo de alimentação e bebidas foi o grande responsável pelo resultado, respondendo sozinho por cerca de metade de toda a inflação registrada no mês.

Na comparação mensal, houve uma desaceleração em relação a abril, quando o índice havia ficado em 0,67%. Ainda assim, o número representa a maior inflação para um mês de maio nos últimos 16 anos. Para efeito de comparação, em maio de 2025 a alta havia sido de 0,26%, menos da metade do resultado atual.

A pressão dos alimentos foi o ponto mais sensível do levantamento, já que o grupo de alimentação registrou alta de 1,33% no mês. Esse comportamento afeta de forma mais intensa as famílias de menor renda, que comprometem a maior parte do orçamento com itens de subsistência e sentem mais rapidamente qualquer encarecimento nesse setor.

Além dos alimentos, outros grupos puxaram o índice para cima. A habitação apareceu na sequência com alta de 1,22%, enquanto saúde e cuidados pessoais subiram 0,90% no mês. Esses setores ajudaram a sustentar o patamar da inflação mesmo com a desaceleração observada no resultado geral de maio.

O grupo de transportes seguiu o caminho contrário e recuou no mês, influenciado pela queda nos combustíveis. A gasolina teve baixa de 1,46% e o etanol caiu 6,20%, em meio ao período de safra, fator que pesa também sobre a gasolina, que conta com 30% de etanol em sua composição.

Para o Banco Central, a leitura é delicada. Segundo a avaliação do economista Ricardo Buzo, a probabilidade maior é de que ocorra mais um corte de 0,25% na taxa de juros, que se mantém acima de 14%. Ainda assim, ele ponderou que os números começam a colocar uma dúvida relevante sobre a continuidade dos cortes nas próximas reuniões.

O economista também destacou o peso da sazonalidade na análise da inflação e alertou que o alívio normalmente esperado na transição do primeiro para o segundo semestre pode ser postergado neste ano. Para ele, os dados mostram que os desafios da inflação brasileira não se limitam ao conflito no Oriente Médio, já que há pressões internas que seguem influenciando os preços.

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