O governo dos Estados Unidos anunciou uma proposta de novas tarifas de vinte e cinco por cento sobre produtos brasileiros, numa medida que pode atingir até vinte e um por cento de tudo o que o Brasil exporta para o mercado americano. O governo brasileiro reagiu com indignação e classificou a iniciativa como sabotagem política motivada por interesses eleitorais e familiares.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, garantiu que o PIX, citado no documento americano como uma das questões em discussão, não está e não estará na mesa de negociação. O ministro descreveu o sistema de pagamentos instantâneos como o maior símbolo da soberania financeira brasileira e uma tecnologia que é cobiçada e invejada por outros países em todo o mundo.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo recebeu com indignação o relatório americano, mas reiterou que o Brasil vai buscar o caminho do diálogo para resolver a questão. O Planalto emitiu nota classificando como lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação bilateral seja sabotado por interesses meramente eleitorais.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, detalhou que os setores mais atingidos pela taxação incluem máquinas e equipamentos, produtos plásticos, artigos de madeira, papel, calçados, ferro fundido e peixes e crustáceos. São precisamente os produtos com maior valor agregado que sofreriam os maiores impactos.
Os Estados Unidos são o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, tanto nas importações como nas exportações. Em dois mil e vinte e cinco, o superávit americano na balança comercial bilateral foi superior a quarenta bilhões de dólares em bens e serviços, o que evidencia a importância estratégica da relação económica entre os dois países.
Uma audiência sobre as tarifas propostas está marcada para o dia seis de julho, e a expectativa é que empresários brasileiros se posicionem formalmente sobre a proposta até essa data. O governo americano tem até o dia quinze do mesmo mês para decidir se vai efetivamente implementar as medidas contra os produtos brasileiros.
Analistas recordam que no ano anterior, quando os Estados Unidos impuseram tarifas elevadas sobre exportações brasileiras que chegaram a cinquenta por cento, o Brasil resistiu sem fazer concessões. A pressão inflacionária resultante nos próprios Estados Unidos acabou por forçar Washington a recuar, demonstrando que o Brasil possui capacidade negociadora para enfrentar a situação atual.
O governo brasileiro afirmou que as negociações vão contar com a participação ativa do setor privado na defesa da economia nacional. O Brasil também destacou a sua política ambiental, com a meta de eliminar o desmatamento até dois mil e trinta, e que a devastação florestal nos seis biomas atingiu o menor nível em sete anos como demonstração de compromisso com as responsabilidades internacionais.
