A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novas canetas emagrecedoras à base de semaglutida. A substância é usada no tratamento do diabetes tipo 2 e também da obesidade, e a chegada das novas marcas deve tornar o mercado mais competitivo para os usuários no Brasil.
Para explicar os impactos da medida, a Record News conversou com o endocrinologista Márcio Mancini, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo. Segundo ele, esses medicamentos são revolucionários no tratamento tanto do diabetes quanto da obesidade, trazendo benefícios que, nas palavras do médico, não eram vistos antes com outras medicações.
De acordo com o especialista, além da redução da glicemia e da hemoglobina glicada em níveis maiores do que outros remédios, os estudos mostram ganhos que vão além da perda de peso. Ele citou pesquisas que apontam melhora em casos de insuficiência cardíaca e até redução da fibrose do fígado em pessoas com doença gordurosa hepática associada à obesidade.
Mancini destacou que a concorrência entre as marcas tende a reduzir o preço dos medicamentos, hoje considerados caros. Com o tempo, afirmou, esses remédios devem acabar entrando no Sistema Único de Saúde, o SUS, onde atualmente a obesidade sem indicação cirúrgica não conta com um tratamento medicamentoso disponível.
O médico explicou ainda o funcionamento da semaglutida, que imita um hormônio natural do intestino, o GLP-1, produzido durante as refeições. Esse hormônio estimula o pâncreas a liberar insulina, ajuda a regular o açúcar no sangue e provoca sensação de saciedade, fazendo com que a pessoa interrompa a refeição.
A liberação de novas marcas foi possível porque a semaglutida perdeu a patente, permitindo que outras indústrias farmacêuticas obtivessem a aprovação da Anvisa. Além das cinco versões importadas, o país já conta com uma caneta nacional, produzida pela EMS.
O especialista também fez um alerta sobre o armazenamento e a origem dos produtos. Por serem importados, os remédios precisam ser mantidos refrigerados desde o transporte até a geladeira das farmácias e da casa dos pacientes. Ele criticou o contrabando de canetas vindas do Paraguai, muitas vezes escondidas em painéis e para-choques de carros, expostas ao calor e vendidas sem receita e sem orientação médica, o que representa risco à saúde.
