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Chás e cápsulas de ervas para emagrecer provocam falência do fígado e mortes no Brasil, alertam famílias e especialistas

Chás e cápsulas de ervas para emagrecer provocam falência do fígado e mortes no Brasil, alertam famílias e especialistas

Famílias relatam mortes ligadas ao uso de chás e compostos naturais para emagrecer, como a noz da Índia e misturas de ervas. Cláudia morreu aos 38 anos por cirrose após usar noz da Índia, e a enfermeira Edmara de Abreu, de 42 anos, morreu após tomar um composto com 50 ervas. Especialistas alertam que esses produtos não passam por testes clínicos nem pela avaliação da Anvisa.

Famílias brasileiras têm vindo a público relatar mortes e quadros graves ligados ao uso de chás e compostos chamados de naturais para emagrecer, como a noz da Índia e misturas de ervas vendidas pela internet. Os relatos mostram que a palavra natural acaba transmitindo uma falsa sensação de segurança, fazendo com que muitas pessoas passem a ingerir produtos sem saber exatamente o que estão consumindo.

Um dos casos é o de Cláudia, que enfrentava depressão, desmaiava com frequência e sentia dores todos os dias. Segundo Gláucia, irmã mais velha dela, a família e os pais só souberam o que estava acontecendo quando a falência do fígado já estava em estágio avançado. De acordo com o relato, o médico apontou que ela estava com uma lesão no fígado por causa do uso da noz da Índia, e Cláudia acabou morrendo aos 38 anos por complicações de uma cirrose hepática.

A perda deixou marcas profundas na família. Elisiane, que tinha 18 anos na época, não esquece o quanto a mãe sofreu e conta que o que mais doeu foi a situação do irmão, Pedro, que tinha apenas três anos quando tudo aconteceu. Ela relata que precisou ser forte para assumir os cuidados com o menino e que segue cuidando dele até hoje.

Outra mulher, Camila, sabe que teve sorte. Após parar de tomar o chá de noz da Índia, ela procurou especialistas para realizar uma cirurgia bariátrica, e os 37 quilos a menos na balança foram perdidos com acompanhamento médico e mudança nos hábitos. Hoje, ela faz um alerta direto a quem vê anúncios desses produtos na internet e sente vontade de experimentar, dizendo para não tomar, não comprar e não entrar nessa, porque, segundo ela, é uma furada que pode realmente matar.

Camila conta que sempre foi muito magra, mas que engordou bastante depois de ter duas filhas, antes do terceiro filho, e que então começou a fazer todo tipo de loucura que indicavam, incluindo diversos chás divulgados na internet, com misturas de muitas ervas. Ela afirma que ficou cerca de um ano e meio nessa rotina até que os rins pararam, passou a sentir dores abdominais, principalmente na lateral, deixou de urinar e precisou sair de casa carregada, chegando ao hospital sem sentir as pernas, no que descreve como o seu pior momento de desespero.

Especialistas reforçam que o rótulo de natural não garante segurança. Esses produtos costumam ser indicados por parentes, amigos ou conhecidos, e há sempre alguém que diz já ter usado sem nenhum problema, alimentando a ideia equivocada de que, se não fizer bem, mal não faz. Na prática, chás e cápsulas de ervas não passam por testes clínicos nem pela avaliação da Anvisa, e sem controle de dose, sobretudo na combinação entre os componentes da fórmula, o que é vendido como remédio milagroso pode se transformar em veneno no corpo, já que substâncias diferentes podem interagir e produzir compostos tóxicos ao organismo.

Quem também conhece de perto esses riscos é Elaine, que perdeu a única irmã. A enfermeira Edmara de Abreu, de 42 anos, morreu depois de tomar um composto natural com 50 ervas para emagrecer. Pela quantidade de cápsulas encontradas, a família calcula que ela havia tomado o produto por cerca de 25 a 30 dias, o que levou Elaine a refletir sobre como, em apenas um mês, aquilo acabou com a vida de uma pessoa. Edmara chegou a passar por um transplante de fígado depois de desenvolver uma hepatite fulminante.

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