Famílias brasileiras têm vindo a público relatar mortes e quadros graves ligados ao uso de chás e compostos chamados de naturais para emagrecer, como a noz da Índia e misturas de ervas vendidas pela internet. Os relatos mostram que a palavra natural acaba transmitindo uma falsa sensação de segurança, fazendo com que muitas pessoas passem a ingerir produtos sem saber exatamente o que estão consumindo.
Um dos casos é o de Cláudia, que enfrentava depressão, desmaiava com frequência e sentia dores todos os dias. Segundo Gláucia, irmã mais velha dela, a família e os pais só souberam o que estava acontecendo quando a falência do fígado já estava em estágio avançado. De acordo com o relato, o médico apontou que ela estava com uma lesão no fígado por causa do uso da noz da Índia, e Cláudia acabou morrendo aos 38 anos por complicações de uma cirrose hepática.
A perda deixou marcas profundas na família. Elisiane, que tinha 18 anos na época, não esquece o quanto a mãe sofreu e conta que o que mais doeu foi a situação do irmão, Pedro, que tinha apenas três anos quando tudo aconteceu. Ela relata que precisou ser forte para assumir os cuidados com o menino e que segue cuidando dele até hoje.
Outra mulher, Camila, sabe que teve sorte. Após parar de tomar o chá de noz da Índia, ela procurou especialistas para realizar uma cirurgia bariátrica, e os 37 quilos a menos na balança foram perdidos com acompanhamento médico e mudança nos hábitos. Hoje, ela faz um alerta direto a quem vê anúncios desses produtos na internet e sente vontade de experimentar, dizendo para não tomar, não comprar e não entrar nessa, porque, segundo ela, é uma furada que pode realmente matar.
Camila conta que sempre foi muito magra, mas que engordou bastante depois de ter duas filhas, antes do terceiro filho, e que então começou a fazer todo tipo de loucura que indicavam, incluindo diversos chás divulgados na internet, com misturas de muitas ervas. Ela afirma que ficou cerca de um ano e meio nessa rotina até que os rins pararam, passou a sentir dores abdominais, principalmente na lateral, deixou de urinar e precisou sair de casa carregada, chegando ao hospital sem sentir as pernas, no que descreve como o seu pior momento de desespero.
Especialistas reforçam que o rótulo de natural não garante segurança. Esses produtos costumam ser indicados por parentes, amigos ou conhecidos, e há sempre alguém que diz já ter usado sem nenhum problema, alimentando a ideia equivocada de que, se não fizer bem, mal não faz. Na prática, chás e cápsulas de ervas não passam por testes clínicos nem pela avaliação da Anvisa, e sem controle de dose, sobretudo na combinação entre os componentes da fórmula, o que é vendido como remédio milagroso pode se transformar em veneno no corpo, já que substâncias diferentes podem interagir e produzir compostos tóxicos ao organismo.
Quem também conhece de perto esses riscos é Elaine, que perdeu a única irmã. A enfermeira Edmara de Abreu, de 42 anos, morreu depois de tomar um composto natural com 50 ervas para emagrecer. Pela quantidade de cápsulas encontradas, a família calcula que ela havia tomado o produto por cerca de 25 a 30 dias, o que levou Elaine a refletir sobre como, em apenas um mês, aquilo acabou com a vida de uma pessoa. Edmara chegou a passar por um transplante de fígado depois de desenvolver uma hepatite fulminante.
