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Levantamento nacional mostra que 40% das estudantes brasileiras perdem aulas mensalmente por causa de dores menstruais, com diferenças significativas entre regiões e raças. No Nordeste, 42% relatam cólicas intensas, enquanto no Sul o índice é de 23%.
Um amplo levantamento nacional revelou dados preocupantes sobre o impacto das cólicas menstruais na educação brasileira. Segundo o estudo divulgado pela Record News, quatro em cada dez alunas faltam às aulas pelo menos uma vez por mês em razão de dores menstruais intensas, um número que evidencia a magnitude de um problema frequentemente tratado como tabu nas escolas e na sociedade em geral.
A pesquisa também expôs diferenças raciais significativas no cenário de absenteísmo escolar por razões menstruais. Entre as estudantes negras que responderam ao questionário, 14% perderam entre dois e cinco dias de aula por mês, enquanto entre as alunas brancas esse percentual foi de 9,6%. Os pesquisadores destacam que essas disparidades refletem desigualdades mais amplas no acesso a cuidados de saúde e condições de vida entre diferentes grupos populacionais.
As diferenças regionais também chamaram atenção no estudo. Na região Nordeste, 42,7% das alunas relataram sentir cólicas classificadas como muito fortes, um número quase duas vezes superior ao registrado na região Sul, onde o índice foi de 23%. Paradoxalmente, mesmo relatando dores mais intensas, as estudantes do Nordeste apresentaram menor taxa de faltas em comparação com as do Sul, onde 40% faltam regularmente, contra 30% no Nordeste.
O levantamento não se limitou às estudantes e incluiu também dados sobre as professoras. Uma em cada dez educadoras relatou faltar ao trabalho pelo menos uma vez por mês em razão de cólicas menstruais, sendo que 15% delas descrevem suas dores como muito fortes. Esses números reforçam que o impacto da saúde menstrual se estende para além do corpo discente e afeta o próprio funcionamento das instituições de ensino.
Os pesquisadores ressaltaram a necessidade urgente de criação de redes de apoio e programas específicos para enfrentar o problema, especialmente nas regiões onde o absenteísmo é mais acentuado. A recomendação é que o tema seja discutido abertamente, sem tabus, e que sejam desenvolvidas estratégias de recuperação para as estudantes que perdem conteúdo escolar em razão das dores menstruais, evitando prejuízos acadêmicos acumulados ao longo do ano letivo.