LIVE PROTOCOL
EET--:--:-- edition--.--.--

Estudo da USP aponta ultrassom para reduzir complicações em preenchimentos

Estudo da USP aponta ultrassom para reduzir complicações em preenchimentos

Uma pesquisa mundial liderada por uma médica do Instituto de Radiologia da USP avaliou 100 casos de complicações vasculares em preenchimentos estéticos e indicou o uso do ultrassom com Doppler para reduzir o risco de problemas graves como cegueira, AVC e necrose, num momento em que os procedimentos com ácido hialurônico cresceram 56% no mundo.

Uma pesquisa de alcance mundial liderada por uma médica do Instituto de Radiologia da Universidade de São Paulo mostrou como a tecnologia pode ajudar a impedir complicações graves nos procedimentos estéticos. O foco do trabalho está nas aplicações de ácido hialurônico, substância usada em preenchimentos faciais que se tornou cada vez mais comum em clínicas de estética. Segundo o levantamento, esses procedimentos cresceram 56% em todo o mundo, o que amplia também a quantidade de pessoas expostas a eventuais erros de aplicação. A conclusão central é que recursos de imagem podem se tornar aliados para resultados mais seguros e eficazes nas intervenções estéticas.

O risco fica claro no relato de uma paciente que perdeu a visão depois de um preenchimento facial. De acordo com o seu depoimento, uma artéria do nariz foi atingida durante o procedimento e o ácido hialurônico acabou injetado dentro desse vaso, o que danificou o nervo óptico e provocou a cegueira do lado esquerdo. No dia seguinte, ela percebeu uma bolha de sangue dentro do olho e viu o hematoma se espalhar pela região, momento em que entrou em desespero. O caso ilustra o tipo de consequência que pode surgir quando a aplicação não segue os cuidados adequados.

Quando a substância é aplicada de forma inadequada, as consequências podem ser graves e permanentes. Entre os desfechos descritos estão a cegueira, o acidente vascular cerebral e a necrose da pele, complicações que vão muito além de um simples resultado estético insatisfatório. O problema costuma ocorrer quando o preenchedor, em vez de ficar na gordura ou nos locais previstos para a aplicação, é injetado dentro de um vaso sanguíneo. A partir desse ponto, a obstrução da circulação pode comprometer tecidos e estruturas sensíveis do rosto.

Para entender melhor essas situações, a médica brasileira coordenou um estudo internacional com pesquisadores do Brasil, do Chile, da Colômbia, dos Estados Unidos e da Holanda. Ao todo, foram avaliados 100 casos de complicações vasculares ocorridas em preenchimentos estéticos, reunindo experiências de diferentes países e contextos clínicos. Esse conjunto de casos permitiu analisar como os problemas se desenvolvem e quais fatores estão associados aos quadros mais sérios. A amplitude internacional da amostra reforça que o tema não está restrito ao Brasil, mas aparece em diversos lugares onde os preenchimentos se popularizaram.

A pesquisa concluiu que a avaliação clínica sozinha nem sempre é suficiente para aplicar o ácido hialurônico com segurança. Isso acontece porque nem todos os vasos sanguíneos do rosto são visíveis a olho nu, o que torna difícil prever, apenas pela observação direta, o trajeto exato em que a agulha vai passar. Sem esse mapa detalhado, mesmo profissionais atentos podem atingir um vaso sem perceber. Por isso, o estudo defende o apoio de uma ferramenta capaz de revelar o que a inspeção visual não mostra.

A tecnologia apontada como aliada é o ultrassom com Doppler, equipamento que permite ao profissional analisar melhor as estruturas do rosto e reduzir o risco de complicações. Com a imagem, é possível visualizar os vasos sanguíneos antes e durante a aplicação, ajudando a evitar que o produto seja injetado no lugar errado. O ultrassom pode ser usado tanto no momento do procedimento quanto depois dele, servindo também para localizar possíveis obstruções de vasos sanguíneos já instaladas. Essa dupla função abre espaço para identificar problemas precocemente e agir antes que o dano se torne irreversível.

Os pesquisadores chamam a atenção para o número crescente de complicações registradas à medida que os preenchimentos se espalham. Para eles, a resposta não está apenas em novas técnicas, mas também na estrutura em que os procedimentos são realizados. A recomendação é que existam estabelecimentos controlados e pessoas capacitadas não só para fazer a aplicação, mas também para resolver eventuais intercorrências quando elas surgem. A expectativa manifestada no estudo é de que o uso do ultrassom seja incorporado à rotina, oferecendo uma camada extra de segurança a quem busca esse tipo de tratamento.

Loading article...