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O Hospital Colonia de Barbacena, em Minas Gerais, conhecido como o Holocausto Brasileiro, fechou definitivamente suas portas. Mais de 60 mil pessoas morreram na instituicao ao longo de decadas, muitas internadas sem diagnostico medico. Os ultimos 14 pacientes, com mais de 70 anos, foram transferidos para residencias terapeuticas com acompanhamento especializado.
O Hospital Colonia de Barbacena, em Minas Gerais, fechou definitivamente suas portas em uma cerimonia realizada em frente a um dos pavilhoes da antiga unidade. A transferencia dos ultimos 14 pacientes encerra um dos capitulos mais vergonhosos da historia do Brasil, onde mais de 60 mil pessoas morreram ao longo de decadas de funcionamento da instituicao.
O primeiro hospital psiquiatrico publico de Minas Gerais comecou a funcionar em 1903. Os internos eram marginalizados pela sociedade e considerados indesejados, incluindo criancas com deficiencia, gestantes solteiras e pessoas em situacao de rua. Muitas foram internadas sem qualquer diagnostico medico, por simples rejeicao das proprias familias ou exclusao social.
Ate 1979, o Hospital Colonia foi administrado por freiras ligadas a Igreja Catolica. Com a reforma psiquiatrica iniciada na decada de 1980, os pacientes comecaram a ser gradualmente liberados. O processo de desinstitucionalizacao levou decadas para ser amadurecido, envolvendo mudancas nas politicas publicas de saude e na consciencia da sociedade sobre a doenca mental.
Os ultimos 14 pacientes que deixaram o hospital tem mais de 70 anos. Chegaram ainda jovens a instituicao, sofreram abusos e violencia fisica, e perderam os lacos familiares ao longo dos anos. Agora comecam uma nova etapa em residencias terapeuticas mantidas pela Prefeitura de Barbacena e pelo governo de Minas, com equipe multidisciplinar e acompanhamento especializado.
O que aconteceu ali dentro foi um dos maiores erros que o Estado ja cometeu durante seculos, declarou um representante do governo durante a cerimonia. A historia do Hospital Colonia de Barbacena foi documentada pela jornalista Daniela Arbex no livro Holocausto Brasileiro, que trouxe ao conhecimento publico a dimensao da tragedia e contribuiu para que a sociedade brasileira confrontasse esse periodo sombrio de sua historia, Record News informou.