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Ilha no litoral do Rio com mais de 300 gatos abandonados vira caso de saúde pública em Mangaratiba

Ilha no litoral do Rio com mais de 300 gatos abandonados vira caso de saúde pública em Mangaratiba

A chamada Ilha dos Gatos, em Mangaratiba, no litoral sul do Rio de Janeiro, abriga mais de 300 gatos abandonados e virou uma preocupação de saúde pública. Pesquisadores identificaram o protozoário da toxoplasmose em 40% dos animais analisados, e a prefeitura prevê retirar todos os gatos da ilha até o fim do ano.

Uma ilha no litoral do Rio de Janeiro virou palco de um problema que preocupa autoridades e moradores. Gatos que foram abandonados acabaram tomando conta do local, em um cenário que já passou a ser tratado como uma questão de saúde pública. O ambiente paradisíaco, em Mangaratiba, no litoral sul do estado, esconde um drama que inquieta cientistas e poder público.

A cerca de 8 quilômetros do continente, a chamada Ilha Furtada, conhecida como Ilha dos Gatos, abriga mais de 300 gatos abandonados. No Brasil, o abandono de animal doméstico é considerado crime, sujeito a multa e até prisão, mas a lei segue sendo desrespeitada no local. O problema, segundo o que se sabe, teria começado ainda na década de 1950.

Com a aproximação das embarcações, os felinos se aglomeram nas pedras à beira-mar em busca de comida. Diante da pouca oferta natural de alimento e sem nenhuma fonte de água doce, os animais dependem da ajuda de voluntários para sobreviver. Especialistas alertam que não se pode romantizar a situação, pois não se trata de um paraíso dos gatos, e sim de um ambiente com escassez de água, comida e abrigo, deixando os animais expostos.

Logo na chegada à ilha, há um sinal de alerta. Em meio às dezenas de animais que circulam livremente, é possível encontrar fezes de gatos espalhadas por vários pontos. O problema é que, quando chove, esse material escorre para o mar, e a contaminação não fica restrita à costa, podendo chegar até a mesa dos consumidores.

Pesquisadores identificaram o protozoário causador da toxoplasmose em 40% dos gatos analisados na ilha. Segundo os estudos, o gato infectado elimina pelas fezes os oocistos, descritos como pequenos ovos, que contaminam o ambiente. As pessoas podem então consumir ostras e mariscos, que são organismos filtradores, capazes de carregar esses oocistos de volta para o ser humano. Há ainda investigações sobre a presença da doença em golfinhos da região.

A gravidade do caso levou o tema ao debate público. Em março deste ano, a discussão inspirou uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio, na qual foram apresentadas propostas como um sistema integrado de monitoramento por câmeras e a fiscalização conjunta da marinha, da polícia ambiental e da própria prefeitura, com o objetivo de coibir o descarte de animais.

Ainda em 2026, a prefeitura de Mangaratiba aprovou uma legislação específica para as ilhas, aumentando a punição nos casos de abandono. A previsão do município é de que, até o fim do ano, todos os gatos sejam retirados da ilha. Os animais devem receber acolhimento, passar por castração e microchipagem e, em seguida, ser encaminhados para campanhas de adoção.

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