Mesmo antes do começo oficial do inverno, o Brasil já registra um forte avanço das doenças respiratórias entre os bebês. As internações de crianças pequenas por esse tipo de problema aumentaram quase 200%, um salto que acende o alerta para famílias e serviços de saúde e antecipa a temporada mais crítica para os pulmões dos recém-nascidos.
Um caso ilustra bem essa realidade. Em março, a pequena Isabela, de apenas três meses, foi internada com bronquiolite e passou dez dias na UTI. Segundo o relato da família, a bebê apresentava baixa saturação, muita secreção e a barriga afundando ao respirar, sinais de que o quadro respiratório havia se agravado rapidamente.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, as doenças respiratórias começam a avançar antes mesmo da chegada do inverno. A média mensal de internações de crianças com menos de um ano teve alta de quase 200% entre fevereiro e maio. Sozinhas, a bronquiolite e a bronquite aguda já representam cerca de um terço de todas as internações respiratórias.
O principal responsável por esse cenário é o vírus sincicial respiratório, conhecido pela sigla VSR. Ele é a causa mais frequente das infecções que levam os bebês ao hospital nesta época do ano e exige atenção redobrada, sobretudo com as crianças nos primeiros meses de vida, que são as mais vulneráveis.
Os pais precisam ficar atentos aos sinais. Segundo os médicos, o bebê começa a ficar cansado, muitas vezes sem ânimo para mamar, e passa a apresentar falta de ar, com uma respiração ofegante acompanhada de gemência. Esses sintomas são mais evidentes justamente nos bebês menores e pedem avaliação médica rápida.
Na prevenção, a vacinação tem se mostrado uma aliada importante. Desde o fim do ano passado, o SUS passou a oferecer a imunização das gestantes contra o VSR. Segundo os especialistas, a medida trouxe um impacto positivo, com redução de 30% a 50% das hospitalizações em comparação com 2025 e com anos anteriores.
Além da vacina, os médicos reforçam cuidados simples no dia a dia. A orientação é evitar aglomerações e o contato dos bebês com pessoas gripadas, principalmente nos primeiros meses de vida, quando o sistema de defesa ainda é frágil e a exposição a vírus respiratórios pode ter consequências graves.
