Em Curitiba, duas ovelhas chamadas Coco e Feijoada ganharam uma função inusitada e passaram a atuar como terapeutas. A ideia surgiu a partir de uma reflexão simples sobre o potencial dos animais nesse tipo de trabalho, e acabou dando origem a um projeto que hoje leva conforto a quem mais precisa. A presença dócil dos animais transformou a rotina de pacientes em diferentes ambientes de cuidado na capital paranaense.
Há três anos, as ovelhas exercem a função de terapeutas dentro de escolas, clínicas de hemodiálise e hospitais de Curitiba e da região metropolitana. O projeto nasceu dentro da universidade e envolve dezenas de voluntários, todos alunos do curso de medicina veterinária. Segundo uma estimativa do grupo, já foram atendidas mais de três mil pessoas ao longo de cerca de cem visitas realizadas.
Antes de cada visita, em ambiente hospitalar ou não, há todo um cuidado preparatório. As ovelhas passam por um banho caprichado e por um processo de desinfecção, e a Coco e a Feijoada ainda recebem uma fralda. Os responsáveis explicam que nem toda ovelha se torna terapeuta, pois é necessário um temperamento dócil. A Ricota, que ainda é uma filhote, tem atendido a esses requisitos e está sendo treinada para reforçar o time.
O cuidado com os animais é constante, especialmente com os mais novos. Como a Ricota ainda mama, os estudantes se revezam durante a noite para garantir que ela tenha toda a atenção necessária. Esse envolvimento mostra a dedicação dos voluntários, que tratam o trabalho não apenas como uma atividade acadêmica, mas como uma missão de cuidado.
Já limpas e desinfetadas, as ovelhas seguem para o trabalho, e o efeito é imediato. Pelos corredores, elas se tornam praticamente celebridades, contagiando pacientes, familiares e até a equipe do hospital, que também entra na onda. Mas é nos quartos que o encontro ganha outro significado, oferecendo um momento de distração e leveza em meio a internações difíceis.
Segundo especialistas, essa presença calma tem impacto direto, principalmente no manejo da dor dos pacientes. O contato com o animal pode ajudar a liberar endorfinas e hormônios que auxiliam no controle da dor, tornando o período de internamento mais tolerável e, em alguns casos, até reduzido. Para pacientes como Beatriz, de 24 anos, em tratamento contra um câncer no sistema linfático, e o pequeno Richard, de 13 anos, que ficou internado na UTI após o diagnóstico de leucemia, os encontros com as ovelhas se tornaram lembranças marcantes em dias muito difíceis.
