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Pesquisa aponta que muitos brasileiros desconhecem fatores de risco para o câncer

Pesquisa aponta que muitos brasileiros desconhecem fatores de risco para o câncer

Um levantamento divulgado esta semana mostra que um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido com mudanças no estilo de vida. Cerca de metade também desconhece que o sedentarismo é fator de risco, e fatores como álcool e alimentação seguem pouco associados à doença.

Um levantamento divulgado esta semana mostra que um em cada quatro brasileiros não sabe que o câncer pode ser prevenido com mudanças no estilo de vida. O dado preocupa especialistas, já que cerca de metade da população também desconhece que o sedentarismo é um fator de risco para o desenvolvimento da doença, revelando uma lacuna importante na percepção sobre prevenção.

Os números fazem parte do estudo Mais Dados, Mais Saúde e Percepções da População Brasileira sobre Fatores de Risco para o Câncer, que contou com suporte técnico do Inca, o Instituto Nacional de Câncer. A pesquisa procurou mapear o que os brasileiros realmente sabem sobre as causas que aumentam as chances de desenvolver a doença.

O levantamento expõe um desequilíbrio no conhecimento da população. Enquanto grande parte das pessoas enxerga o tabagismo e a exposição solar como fatores de risco, o consumo de bebidas alcoólicas, de carne vermelha e de alimentos embutidos e ultraprocessados dificilmente é associado ao câncer, mesmo diante de diversas evidências científicas que comprovam esses elementos como fatores de risco.

A presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Clarissa Baldotto, comentou os resultados e classificou o cenário como curioso. Para ela, chama a atenção que, em um momento de tanta informação disponível, os brasileiros ainda desconheçam os principais fatores de risco para as formas mais comuns de câncer.

A médica lembrou ainda que a própria entidade conduziu um estudo semelhante em 2017 e que as conclusões foram bastante parecidas com as atuais. Já naquele momento, muitos desconheciam fatores importantes como o álcool e a alimentação, enquanto o tabagismo já era de conhecimento mais amplo da população, exatamente como voltou a aparecer agora.

Na avaliação dela, a repetição do quadro mostra que, apesar de a informação estar disponível, ela precisa ser trabalhada de forma mais efetiva junto à sociedade. O simples acesso ao conteúdo não tem sido suficiente para mudar a percepção da população sobre o que de fato aumenta o risco de câncer.

Como referência de caminho possível, Baldotto citou o sucesso do Brasil no combate ao tabagismo, resultado de um esforço coletivo que envolveu governo, sociedades médicas e a própria sociedade civil. Foram anos de campanhas, alertas, mensagens nos maços de cigarro e restrições a comportamentos, como o estímulo a crianças a fumar, um conjunto de ações que, segundo ela, fez efeito e poderia inspirar a abordagem de outros fatores de risco.

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