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Levantamento revela que 72% dos brasileiros aderem à vacinação, mas 9,9% abandonaram completamente os programas de imunização. Entre jovens de 25 a 34 anos, a adesão cai para 62%. Apenas 56,7% dos entrevistados planejam tomar a vacina contra dengue apesar dos recordes de casos.
Uma pesquisa de opinião pública sobre vacinação no Brasil revelou dados que preocupam especialistas em saúde pública. Segundo o levantamento apresentado pela Record News, 72% dos entrevistados afirmaram que continuam aderindo aos programas de vacinação, enquanto 9,9% declararam que abandonaram completamente a imunização, não havendo mais qualquer disposição em tomar vacinas.
A análise por faixa etária revelou um padrão inquietante entre os mais jovens. Na faixa de 25 a 34 anos, apenas 62% afirmaram que continuam se vacinando regularmente, o menor índice entre todos os grupos avaliados. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o percentual foi semelhante, com 62,9% de adesão. Em contraste, a população acima de 60 anos apresentou o maior índice de adesão, com 78,3%, seguida pela faixa de 35 a 44 anos com 78%.
Os pesquisadores atribuem boa parte da resistência vacinal ao legado de desinformação disseminado durante a pandemia de Covid-19. Durante aquele período, mensagens contrárias à vacinação proliferaram nas redes sociais e foram amplificadas por diversos agentes públicos, criando um ambiente de desconfiança que não se limitou ao imunizante contra o coronavírus, mas contaminou a percepção da população sobre vacinas em geral.
Os dados sobre a vacina contra dengue foram classificados como chocantes pelos analistas do estudo. Apesar dos sucessivos recordes anuais de casos e mortes por dengue no Brasil nos últimos três anos, apenas 56,7% dos entrevistados que podem se vacinar declararam que planejam buscar o imunizante quando chegar sua vez. Outros 13,7% consideram importante mas não prioritário, 10,5% se mostraram indiferentes e 4,8% afirmaram que simplesmente não confiam em vacinas.
O cenário exposto pela pesquisa coloca um desafio significativo para o Ministério da Saúde na condução das campanhas de imunização em todo o território nacional. Com quase 10% da população recusando vacinas e uma parcela expressiva dos jovens adultos demonstrando baixa adesão, especialistas alertam que o Brasil corre o risco de retroceder em conquistas históricas da saúde pública que foram alcançadas justamente graças à ampla cobertura vacinal desde a década de 1990.