O K-pop costuma atrair os olhos do público com a dança perfeita e a maquiagem bonita, mas, por trás desse brilho, os astros do gênero pagam um preço alto para se manter no topo. Thaís Midori, que mora na Coreia do Sul e mantém um canal na internet especializado em cultura asiática, explica que entre as cobranças da indústria está a da aparência, com a exigência de pele e cabelo brilhantes, como os de bonecas, e de um corpo magro, bem magro.
Segundo o relato, muitos artistas já passaram por mudanças drásticas de peso, ao mesmo tempo em que costumam dizer aos fãs que estão saudáveis, para que as pessoas não se preocupem. A cobrança estética é tão grande que os próprios artistas chegam a relatar nas redes sociais as dietas que fazem, como um sinônimo de esforço, mencionando rotinas como comer apenas uma batata doce, uma maçã e leite o dia todo, ou ainda não comer nada antes de um show ou da gravação de um videoclipe.
Do outro lado da tela, a admiração dos fãs facilmente se transforma na vontade de ser igual ao que se vê e de fazer o mesmo. Foi o que aconteceu com Vitória ainda na adolescência. Aos 13 anos, ela começou a se inspirar no visual das cantoras coreanas e descreve aquilo como um amor à primeira vista, afirmando que queria ser como elas, chegando a usar muitas lentes de contato para aumentar a íris dos olhos.
Vitória também queria ter o mesmo corpo das cantoras coreanas e, mesmo sendo diabética, passou a fazer dietas restritivas, sem acompanhamento médico e sem contar para a mãe, incluindo jejuns de dez a quinze dias. Ela seguiu uma dieta bastante conhecida, chamada de dieta da IU, em referência à cantora e compositora coreana de 29 anos que disse já ter perdido cinco quilos em cinco dias com regimes muito restritivos. Segundo Vitória, quando chegava em casa, ela vomitava.
Em 2019, depois de três meses de dieta, Vitória emagreceu demais, até chegar ao ponto de pesar 32 quilos, com 1,74 metro de altura. Ela conta que estava muito doente, à beira da morte, mas que, para ela, o mais importante era estar magra. Quando conseguia levantar da cama e olhava para o próprio corpo, via os ossos da costela aparecendo e chegava a achar aquilo bonito, um sinal de como a doença havia distorcido a sua percepção.
A saúde, então, cobrou a conta. Vitória precisou ser internada e colocar uma sonda no abdômen para conseguir se alimentar, e o quadro evoluiu com anemia, falta de vitamina B12 e de vitamina D, além de um início de osteoporose. Ela relata ainda que teve de arrancar vários dentes da boca, porque, caso contrário, eles acabariam caindo, mostrando a gravidade das consequências físicas do transtorno.
Especialistas reforçam que, quando o peso é perdido de forma muito rápida e acelerada, o corpo não elimina apenas gordura, mas também massa magra, líquido e nutrientes importantes para o organismo. A mãe de Vitória só percebeu o que estava acontecendo com a filha quando ela já estava bastante debilitada, e descreve com tristeza a perninha fina da jovem, que parecia a de um bebê, frágil até na hora do banho.
