O Brasil realizou um marco histórico na medicina ao concluir o primeiro transplante de rim entre doadores vivos feito totalmente com cirurgia robótica na América Latina. O procedimento uniu avanço tecnológico e um gesto de amor dentro de uma mesma família. A paciente, Adriana, recebeu o órgão doado pelo irmão, André.
O primeiro sinal de que algo não ia bem no organismo de Adriana foi o sangramento na urina. Levou um tempo até que o diagnóstico fosse fechado, e a doença identificada era grave: uma enfermidade autoimune chamada nefropatia por IgA. Nesse quadro, o próprio corpo passa a atacar o órgão responsável pela filtragem do sangue.
A doença vai destruindo progressivamente os glomérulos do rim, estrutura essencial para o funcionamento renal. Foi assim, aos poucos, que Adriana acabou perdendo quase toda a função dos rins. O agravamento do quadro tornou o transplante a alternativa necessária para devolver qualidade de vida à paciente.
A solução veio dentro da própria família. O irmão de Adriana, André, decidiu doar um dos rins. Segundo ele, doar o órgão para a irmã não foi uma decisão difícil, mas sim uma escolha automática de quem ama, e afirmou que faria tudo novamente sem hesitar diante da necessidade da irmã.
O caso ganhou caráter histórico porque foi o primeiro transplante de rim entre vivos realizado 100% com cirurgia robótica na América Latina. A técnica permitiu um procedimento com menos cortes e um processo de recuperação mais rápido, além de contribuir para reduzir a taxa de infecção associada à operação.
A diferença apareceu também na recuperação dos dois lados. Adriana passou dez dias internada, dentro do protocolo normal de quem recebe um novo órgão, enquanto André teve alta já no dia seguinte ao da cirurgia. Para os médicos, ao simplificar o procedimento, a robótica ainda aumenta as chances de que mais pessoas decidam se tornar doadoras.
Com a cirurgia, segundo a equipe médica, é possível minimizar os problemas ligados à doação e ampliar a ideia de doar, considerada um gesto bonito e importante. Agora, Adriana está bem e retomando a rotina, cheia de planos, como voltar a trabalhar, fazer exercícios e pilates, sair mais e ir à praia.
