Todos os dias, os hospitais dependem das doações de sangue para realizar cirurgias, atender vítimas de acidentes e tratar pacientes com doenças graves. O problema é que a quantidade de doadores ainda está abaixo da necessidade em muitas cidades do país, e o reflexo já aparece nos estoques.
A Fundação Pró-Sangue informa que trabalha com uma baixa importante no estoque, com cerca de 30% do que seria o ideal para atender às demandas transfusionais. A situação é especialmente delicada para alguns tipos sanguíneos.
Os tipos O positivo e O negativo são os que apresentam o estoque mais baixo, com abastecimento para menos de um dia. Com essa baixa, cirurgias agendadas precisam ser desmarcadas, o que preocupa os profissionais de saúde.
Segundo a gerente médica da fundação, quando o sangue fica muito baixo e não há quantidade suficiente para todos os pacientes, é preciso priorizar situações de urgência. Entram nesse grupo o paciente acidentado que chega sangrando, a pessoa com leucemia ou câncer em quimioterapia e a gestante que sangra no momento do parto.
Nesses casos, a priorização das urgências faz com que muitas vezes não haja sangue suficiente para atender as chamadas cirurgias eletivas, que são aquelas que têm data marcada. O adiamento desses procedimentos afeta diretamente pacientes que aguardam para dar continuidade aos seus tratamentos.
É o caso da pequena Helena, de apenas quatro anos, que nasceu com uma rara mutação genética e depende das bolsas de sangue para seguir um tratamento que envolve diversas cirurgias. Há cerca de 22 dias, ela teve uma obstrução da principal via de vascularização do intestino e passou por uma cirurgia de emergência, na qual recebeu quatro bolsas de sangue, com a necessidade de oito doações. Uma semana depois, em nova cirurgia, teve de retirar metade do intestino, e mais bolsas foram necessárias, além de concentrados de hemácias e de plasma.
Em contrapartida à carência, há quem transforme a doação em um gesto contínuo de solidariedade. É o caso de Rafael Francisco, que já realizou 69 doações de sangue e recebeu uma medalha em reconhecimento à sua dedicação. Ele conta que começou a doar aos 19 anos, quando servia no tiro de guerra, pegou gosto e não parou mais.
