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Casos de hepatite A crescem em Sao Paulo e superam total de 2025

Casos de hepatite A crescem em Sao Paulo e superam total de 2025

O aumento dos casos de hepatite A no estado de Sao Paulo acendeu um alerta entre as autoridades de saude. Segundo a Secretaria de Estado da Saude, foram registrados mais de 1.900 casos da doenca no primeiro semestre deste ano, numero superior ao total contabilizado em todo o ano de 2025, quando houve 1.600 casos. A hepatite A vem crescendo no estado desde 2022, e a principal forma de prevencao continua sendo a vacinacao.

O aumento dos casos de hepatite A no estado de Sao Paulo acendeu um alerta entre as autoridades de saude. Segundo dados da Secretaria de Estado da Saude, foram registrados mais de 1.900 casos da doenca apenas no primeiro semestre deste ano, um numero que ja e superior ao total contabilizado durante todo o ano de 2025, quando foram registrados 1.600 casos. De acordo com o levantamento, a hepatite A vem crescendo no estado de forma continua desde 2022.

A hepatite A e uma infeccao causada por um virus de transmissao fecal oral, e a principal forma de prevencao continua sendo a vacinacao. Para explicar o cenario, o Jornal da Record News entrevistou o vice-presidente da Associacao Latino-Americana para o Estudo do Figado e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia, o medico Mario Pessoa, que detalhou as causas do surgimento da doenca e do crescimento expressivo dos casos.

Segundo o especialista, a hepatite A sempre foi um problema no pais. Ha muitos anos, era comum que, a cada verao, o esgoto que caia nas praias contaminasse a agua e provocasse varios casos. Com a melhora das condicoes sanitarias, a doenca se tornou menos frequente, mas nao desapareceu, e passou a aparecer em surtos a cada dois ou tres anos. Ele lembrou que, durante a Copa do Mundo e as Olimpiadas no Rio de Janeiro, novas cepas do virus entraram no pais e provocaram muitos casos.

Mario Pessoa explicou que a vacinacao universal de criancas so comecou em 2014, inicialmente para bebes e criancas de um a dois anos e, depois, ampliada pelo Ministerio da Saude para a faixa de um a cinco anos. O problema, segundo ele, e que ha uma grande parcela da populacao nascida antes de 2014 que nao foi vacinada e permanece suscetivel a um virus de transmissao extremamente facil. Um funcionario de restaurante que nao higienize as maos de forma adequada, por exemplo, pode transmitir o virus a todos os clientes que estiveram no local naquele dia.

O medico destacou que a maioria dos infectados e assintomatica e pode espalhar o virus rapidamente sem saber que esta contaminada. Ja os pacientes que apresentam sintomas, como nauseas, vomitos e principalmente a ictericia, quando os olhos ficam amarelados, costumam se afastar do trabalho e procurar assistencia medica. Em menos de 1% dos casos, no entanto, a doenca pode ser extremamente grave, evoluindo para a chamada hepatite aguda grave ou fulminante.

Como exemplo da gravidade possivel, o especialista citou um caso recente no Hospital das Clinicas, onde trabalha, de um paciente jovem que desenvolveu uma hepatite aguda grave, precisou ser internado e evoluiu com insuficiencia renal, chegando a necessitar de dialise. Ele ressaltou que a hepatite A jamais se torna cronica, mas que, nos casos fulminantes, se o paciente nao receber um transplante, pode perder o figado por insuficiencia hepatica aguda.

Para romper o ciclo de surtos, Mario Pessoa defendeu que e preciso ampliar a cobertura vacinal entre os jovens que ainda nao possuem o anticorpo de protecao contra a doenca e seguem suscetiveis. Ele afirmou que ja ha conversas com o Ministerio da Saude e com o Programa Nacional de Hepatites Virais, que estao atentos a situacao, e reforcou que, alem da vacina, a melhora do saneamento e a higiene continuam sendo fundamentais para conter novos surtos.

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