Uma maternidade de São Paulo passou a ser investigada pela polícia após uma série de denúncias feitas por famílias. Os relatos envolvem partos mal-sucedidos e acusações de violência obstétrica, e transformaram o que deveria ser um momento de alegria, o nascimento de um filho, em motivo de dor e questionamentos para diferentes mulheres e seus parentes.
Parte das denúncias começou a se organizar a partir da iniciativa de uma das vítimas. Uma mulher que perdeu o bebê criou um grupo nas redes sociais e, a partir dele, reuniu dezenas de relatos de outras famílias que dizem ter passado por situações graves na mesma unidade, dando dimensão a um problema que, segundo elas, não seria isolado.
Entre os casos que vieram a público, há histórias de perdas duplas. Em um deles, uma família perdeu de uma só vez a mãe e o bebê, transformando o que era para ser o momento mais feliz do casal em uma tragédia. Para o marido, faltam palavras para descrever a tristeza de ter perdido a esposa e o filho de forma tão repentina.
Uma das vítimas foi identificada como Evelyn de Oliveira, de 23 anos, que morreu pouco depois de perder o filho. Segundo o relato, ela ficou internada por 14 dias em uma maternidade da capital paulista e estava no quinto mês de gestação. Evelyn teria dado entrada para passar por um procedimento no colo do útero, em um quadro que, desde o início, exigia atenção médica.
As circunstâncias exatas do atendimento são justamente o foco da apuração. As famílias contestam a forma como os casos foram conduzidos, e as informações requisitadas na investigação estão em andamento e serão analisadas para o esclarecimento dos fatos, em um processo que ainda deve levar tempo até apontar eventuais responsabilidades.
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde afirmou que os dois casos citados na reportagem são diferentes entre si, mas que ambos envolviam elevado risco para as mães e para os bebês. O órgão reforçou que todos os esforços foram empenhados pelas equipes do hospital e se solidarizou com as famílias que perderam seus entes.
Para quem ficou, o que resta é a busca por respostas e a tentativa de dar sentido à perda. As famílias afirmam que querem não apenas entender o que aconteceu com elas, mas também evitar que outras mães passem pelo mesmo sofrimento. Em meio à dor, uma das mulheres resumiu o sentimento ao dizer que só queria o seu bebê consigo, mais nada.
