O estado de São Paulo contabiliza, até o momento, 13 casos de sarampo em 2026. Diante do avanço dos registros, as autoridades de saúde reforçaram as medidas de prevenção e passaram a adotar a chamada dose zero da vacina para crianças a partir dos seis meses de idade. A movimentação busca conter a circulação de uma doença altamente contagiosa e que voltou a acender o sinal de alerta no estado.
Os casos confirmados estão concentrados em São Bernardo do Campo e na capital paulista. Chama a atenção a amplitude da faixa etária dos infectados, que vai de 1 ano até 50 anos, mostrando que a doença não atinge apenas crianças pequenas. Essa distribuição reforça a preocupação das autoridades com a proteção de diferentes grupos da população.
Apesar do aumento dos registros, o Brasil mantém o status de país onde o sarampo foi eliminado, e os casos atuais estão sendo controlados. Uma das principais ferramentas nesse controle é a vacinação de bloqueio: quando um caso é identificado, as pessoas do entorno são vacinadas, mesmo que já tenham recebido doses anteriormente, para interromper a cadeia de transmissão.
Diante do cenário, São Paulo adota a dose zero para bebês a partir de seis meses. Trata-se de um reforço que não substitui as doses normais do calendário. Segundo especialistas, essa dose é menos eficaz, porque a criança ainda pode ter anticorpos transferidos pela mãe durante a gravidez, mas é aplicada para minimizar o risco em caso de contato com o vírus. Quem recebe a dose zero deve, mais tarde, tomar as duas doses da tríplice viral a partir de um ano de idade.
O sarampo tem sinais bastante característicos, que ajudam no diagnóstico. Entre eles estão a conjuntivite, com os olhos quase fechados, a febre alta e o exantema, que são as lesões na pele. Essas manchas costumam surgir primeiro no rosto e vão descendo pelo corpo, da cabeça aos pés, sem aparecer em todas as áreas ao mesmo tempo. A doença não deve ser subestimada, pois pode evoluir para complicações graves, como a meningite viral, também chamada de encefalite.
A transmissão do vírus é considerada fácil quando a pessoa está infectada e ocorre pela via respiratória, em situações como uma conversa, o uso da mesma colher ou beber no mesmo copo. A alta capacidade de contágio é um dos pontos mais preocupantes: estima-se que um único caso de sarampo seja capaz de gerar cerca de 18 outros. Por isso, a recomendação é que todas as faixas etárias abaixo de 60 anos estejam com a vacinação em dia.
Especialistas lembram ainda do contexto recente de grandes deslocamentos, como a campanha de vacinação feita antes da Copa. Pessoas que viajaram e não se vacinaram podem ter estado em países onde o sarampo circula de forma intensa, aumentando o risco de trazer o vírus. Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, manter a caderneta em dia e vacinar tanto as crianças quanto os adultos é fundamental para evitar que casos isolados se transformem em surtos.
