Uma mulher identificada como Julia afirma ter sofrido violencia obstetrica em uma maternidade de Suzano, na Grande Sao Paulo, em um parto em que a filha recem-nascida acabou ferida. Segundo o relato apresentado a Record News, o atendimento foi marcado por falhas, e o caso agora e alvo de uma sindicancia interna do hospital e de uma investigacao policial.
De acordo com Julia, com as dores cada vez mais intensas e sem evolucao no procedimento de parto normal, ela foi levada para a sala onde teria o bebe. No meio do caminho, as enfermeiras pararam no corredor porque ela estava tendo contracoes, momento em que ela teve uma crise de ansiedade. A mae afirma que uma enfermeira chegou a dizer que, se ela continuasse daquela forma, mataria a propria filha.
Durante o procedimento, foi preciso usar um forceps, instrumento que ajuda na saida do bebe em parto normal quando ha necessidade medica. A tecnica e empregada ha decadas e segue diretrizes precisas, sendo muitas vezes responsavel por salvar o bebe. Neste caso, porem, a recem-nascida acabou tendo ferimentos na cabeca, registrados em fotos guardadas pela familia.
Outro ponto questionado foi a demora em um exame. De acordo com o relato, um raio-x havia sido solicitado pelo medico, mas nao foi realizado na hora, sendo feito somente 24 horas depois. Julia deixou o hospital dois dias apos o nascimento da filha, ainda inconformada com a forma como o parto havia sido conduzido.
Apos a alta, Julia procurou uma delegacia e registrou um boletim de ocorrencia. Ao passar pelo exame de corpo de delito no IML, foi orientada a buscar atendimento medico imediato. Por causa da experiencia anterior, ela voltou ao mesmo hospital e gravou o audio da consulta medica, em uma tentativa de documentar o atendimento que estava recebendo.
O atendimento foi feito pelo mesmo medico que havia conduzido o parto. Questionado, ele inicialmente negou ter realizado o procedimento, mas, diante da insistencia, confirmou e disse que ate lembrava a forma como ela havia chegado ao quarto. Julia afirma ter sido vitima da chamada violencia obstetrica, que ocorre, por exemplo, quando a mulher sofre humilhacoes, ofensas, e tratada com grosseria, tem duvidas ignoradas ou e submetida a procedimentos sem a devida explicacao ou consentimento.
Procurado, o medico preferiu nao se pronunciar. Em nota, o Hospital e Maternidade de Suzano informou que abriu uma sindicancia interna para apurar a denuncia, com analise baseada no prontuario, nos registros do atendimento e nos protocolos da instituicao. Ja a Secretaria de Seguranca Publica afirmou que o caso e investigado pela delegacia de Suzano como lesao corporal.
