Um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, investiga por que tantas mulheres no Brasil acabam optando por nascimentos via cesárea, num cenário em que, na maioria dos países, a preferência é pelo parto normal. O levantamento chama a atenção porque o Brasil é um dos três países com mais cesarianas no mundo.
Os dados mostram um contraste importante. De acordo com um levantamento da Fiocruz, sete em cada dez brasileiras alegam preferir o parto natural no começo da gravidez. No entanto, estimativas revelam que 60,5% dos nascimentos no país acabam acontecendo por meio de cesarianas, muito acima do que as próprias mulheres dizem desejar no início da gestação.
Segundo o estudo, esse desfecho não pode ser explicado apenas por fatores individuais, mas também por contextos sociais e estruturais. Em entrevista à Record News, Stephanie Amaral, especialista em saúde e nutrição do Unicef no Brasil, explicou melhor esses dados e o que está por trás das escolhas feitas ao longo da gravidez.
A conclusão central do estudo, segundo a especialista, é que a cesárea muitas vezes não é, de fato, uma decisão da mulher. Trata-se de um conjunto de fatores individuais, sociais e estruturais que acabam levando a esse desfecho, mesmo quando a gestante inicialmente desejava um parto normal, de acordo com o que aponta o trabalho.
Ainda de acordo com a especialista, essa realidade vem primeiro do imaginário em torno do parto, marcado pelo medo da dor e pela associação do nascimento com sofrimento. Essas ideias, segundo ela, são repassadas à mulher a partir do momento em que ela se torna gestante, influenciando as suas expectativas sobre o parto.
Além disso, o estudo aponta que várias questões contribuem para o alto número de cesarianas, que vão desde a desinformação até problemas estruturais na organização dos serviços de saúde. O trabalho busca justamente entender esse conjunto de causas por trás das escolhas feitas no país em relação ao tipo de parto.
