Todos os anos, cerca de 30 mil crianças nascem com má formação no coração no Brasil, condição conhecida como cardiopatia congênita. Trata-se da terceira maior causa de morte entre os recém-nascidos no país, o que torna o tema uma importante questão de saúde pública e reforça a necessidade de atenção desde os primeiros dias de vida.
O caso de Luca ilustra os desafios enfrentados por essas famílias. Ele nasceu com cardiopatia congênita, mas o problema só foi descoberto quando tinha sete anos, mesmo apresentando sinais desde bebê. Entre os indícios de que algo estava errado, estava o cansaço durante a mamada, um sintoma que costuma passar despercebido.
Ao longo da vida, Luca enfrentou um árduo percurso de tratamento. Aos dez anos, já havia passado por cinco cirurgias, além de internações e complicações. Há seis meses, porém, ele ganhou um novo coração e a chance de retomar uma vida que até pouco tempo parecia distante, com o desejo de voltar para a escola e jogar bola com os amigos.
Entre os sinais de alerta da cardiopatia congênita estão as pontas dos dedos arroxeadas, o cansaço excessivo, a dificuldade de ganhar peso e o crescimento incompatível com a idade. Reconhecer esses sintomas precocemente pode ser decisivo para o encaminhamento adequado das crianças ao tratamento.
Nem todas as crianças com a condição precisam de transplante, como foi o caso de Luca, mas os números mostram a gravidade do quadro. Cerca de 40% necessitam de cirurgia ainda no primeiro ano de vida, e a condição figura como a terceira principal causa de morte no período neonatal, segundo o Ministério da Saúde.
Por isso, o diagnóstico durante o pré-natal é fundamental para aumentar as chances de tratamento. No país já foi instituído como norma o chamado teste do coraçãozinho, e os especialistas reforçam que, caso o problema não seja identificado no pré-natal, o diagnóstico deve ser feito no pós-natal, com os médicos auscultando corretamente o coração do bebê e palpando os pulsos dos membros inferiores.
