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Homem espera quase três anos por cirurgia de reconstrução da uretra em São Paulo

Homem espera quase três anos por cirurgia de reconstrução da uretra em São Paulo

Ramisson, motorista de aplicativo, rompeu a uretra ao cair de um telhado em julho de 2023 e há quase três anos espera por uma cirurgia de reconstrução na rede pública de São Paulo. Ele convive com uma sonda, infecções urinárias recorrentes e o medo de complicações enquanto aguarda em uma fila sem previsão.

Há quase três anos, Ramisson, motorista de aplicativo, convive com o medo de complicações enquanto aguarda por uma cirurgia de reconstrução do canal da urina na rede pública de São Paulo. O caso expõe a longa espera enfrentada por pacientes que dependem do sistema público de saúde, em uma situação que, para ele, se arrasta sem uma previsão clara de solução.

O drama começou em julho de 2023, quando Ramisson brincava com um filho pequeno e foi atrás de uma pipa. Ao subir, ele caiu de um telhado sobre um muro, e o impacto no meio das pernas provocou um ferimento grave, com o rompimento da uretra, o canal por onde a urina passa para ser expelida pelo corpo.

Logo após o acidente, uma sonda foi passada pelo canal urinário, mas não conseguiu chegar até a bexiga, e a urina estava saindo apenas pela região dos testículos. Segundo o relato, ele ficou cerca de oito a nove dias aguardando que o chefe da urologia chegasse para avaliá-lo, em um total de dez dias de internação no Hospital Geral de Vila Nova Cachoeirinha, com fortes crises de dor.

No hospital, o problema foi constatado e ele precisou receber uma sonda diferente, com um canal aberto no abdômen por onde a urina sai e é coletada em uma bolsa presa à perna. Os médicos indicaram que havia necessidade de uma cirurgia de reconstrução do canal e que, depois de cicatrizar, ele entraria em uma fila para o procedimento, descrito a ele como algo rápido.

De acordo com um médico ouvido na reportagem, em parte dos casos a cirurgia é relativamente simples, com a passagem de um aparelho pela uretra para abri-la, com um instrumento de corte ou laser. Em situações mais graves, porém, o procedimento é mais complexo, sendo necessário abrir a região, retirar o trecho da uretra com problema e substituí-lo, em uma reconstrução mais elaborada.

Desde que recebeu alta após o acidente, Ramisson diz que procurou diferentes hospitais e ambulatórios de especialidades da rede pública em busca da cirurgia, mas sempre ouviu a mesma resposta, de que existe uma fila e que é preciso aguardar. Ele afirma estar na fila, mas relata não ter qualquer noção de em que posição se encontra, o que aumenta a sensação de incerteza.

A espera, no entanto, pode ser arriscada. Todo mês ele precisa ir ao hospital para a troca da sonda e afirma sofrer de infecção urinária recorrente, com o alerta de que, caso a infecção avance para outro órgão, a situação poderia se tornar irreversível. A esposa de Ramisson suspeita ainda que possa ter ocorrido algum erro médico no primeiro atendimento, afirmando que ele apenas teria sido suturado, sem que fossem solicitados exames.

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