O teste do pezinho completa 50 anos no Brasil, marcando meio século de um dos exames mais importantes da saúde pública do país. Obrigatório em todo o território nacional, o exame permite o diagnóstico precoce de doenças genéticas, metabólicas e raras, o que aumenta de forma significativa as chances de tratamento e de uma vida saudável para os recém-nascidos.
A importância do exame fica clara em histórias como a de Guilherme, que poucos dias depois do nascimento foi diagnosticado com fenilcetonúria, uma doença rara que pode causar danos graves ao sistema nervoso se não for tratada a tempo. Foi justamente o teste do pezinho que detectou a condição, permitindo que o tratamento começasse cedo e evitando consequências que poderiam ter sido irreversíveis.
O próprio Guilherme resume o que estava em jogo. Segundo ele, poderia ter sequelas e até não conseguir andar, por conta das sequelas motoras que a fenilcetonúria pode gerar quando não é identificada e tratada de forma precoce. O diagnóstico a tempo, possibilitado pelo exame, foi decisivo para mudar esse cenário e garantir o acompanhamento adequado desde os primeiros dias de vida.
O procedimento é simples e padronizado. O teste é obrigatório para todos os recém-nascidos e deve ser realizado entre o terceiro e o quinto dia de vida do bebê. Para fazê-lo, basta uma pequena coleta de sangue do calcanhar da criança, e a amostra segue depois para análise em laboratórios especializados, onde é possível identificar doenças genéticas, metabólicas e raras.
Nos últimos anos, o alcance do exame foi ampliado. Há cinco anos, uma lei federal aumentou de seis para cinquenta o número de doenças que podem ser detectadas pelo teste na rede pública, um avanço expressivo na capacidade de rastreamento e na proteção da saúde dos recém-nascidos brasileiros já nos primeiros dias após o parto.
Na prática, porém, a quantidade de doenças rastreadas ainda varia de acordo com o estado. Minas Gerais e o Distrito Federal oferecem gratuitamente a triagem de mais de sessenta doenças, enquanto no Rio de Janeiro o teste detecta até cinquenta e quatro. Na cidade de São Paulo, o exame ampliado é oferecido nos hospitais municipais, o que evidencia diferenças regionais no acesso.
Diante dessas desigualdades, a defesa por equidade ganha força. A bandeira levantada é a de garantir que não apenas as crianças nascidas em maternidades públicas de São Paulo, mas todas em todo o Brasil, tenham direito à triagem neonatal ampliada. A cada ano, cerca de dois milhões e setecentos mil recém-nascidos fazem o teste do pezinho no país, número que mostra o peso do exame na rede de saúde.
