Declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, provocaram uma reação diplomática do governo brasileiro. Após o mandatário argentino ofender o presidente Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes em uma convenção do PL neste fim de semana, o Itamaraty classificou as falas como sem precedentes e lamentáveis, num episódio que elevou a tensão entre os dois países.
Segundo o relato, durante o evento Milei chamou Lula de presidiário e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como lixo careca. As ofensas teriam relação com o fato de Moraes não ter autorizado uma visita do presidente argentino ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o que motivou a manifestação do chefe do Executivo argentino no encontro partidário.
Diante das declarações, o Itamaraty tratou o caso como algo fora dos padrões esperados na relação entre os dois governos, ao qualificar as falas como sem precedentes e lamentáveis. A avaliação do órgão responsável pela diplomacia brasileira indicou o desconforto do governo federal com o tom adotado pelo presidente da Argentina em território brasileiro.
Em outro gesto diplomático, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para transmitir a posição do governo federal a respeito das falas do chefe do Executivo argentino. A convocação de um embaixador é um instrumento usado pela diplomacia para registrar de maneira formal o descontentamento de um país diante de uma manifestação considerada inadequada.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, também se manifestou sobre o caso. Fachin classificou as falas de Milei como uma referência desrespeitosa e, em nota, ressaltou que a crítica foi feita em território brasileiro. O magistrado reafirmou a plena autonomia do Judiciário do país e deplorou manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os dois Estados.
O episódio acrescenta um novo capítulo de atrito entre os governos do Brasil e da Argentina e envolve, ao mesmo tempo, o Executivo e o Judiciário brasileiros nas respostas às declarações do presidente argentino. Enquanto a repercussão segue, as manifestações do Itamaraty e do STF deixam claro o tom de repúdio adotado pelas instituições brasileiras diante das ofensas.
